Morro de São Paulo é um destino com praias incríveis, localizadas a apenas 60 km de Salvador, na Bahia. Foto: Melhores Destinos
Morro de São Paulo é um destino com praias incríveis, localizadas a apenas 60 km de Salvador, na Bahia. Foto: Melhores Destinos

Morro de São Paulo, um dos destinos mais disputados do litoral baiano, vive uma transformação silenciosa, mas cada vez mais visível. O fluxo intenso de turistas israelenses mudou o perfil de quem circula pelas ruas, praias e estabelecimentos do vilarejo, influenciando desde o mercado imobiliário até os hábitos gastronômicos e religiosos. 

Em 2024, a estimativa é que metade dos estrangeiros que passaram pelo balneário tenham vindo de Israel, e já reposiciona o destino no mapa do turismo internacional.

A origem dessa relação remonta a 2013, quando foi lançada a série israelense Malabi Express, também conhecida como Magic Malabi Express. Gravada em Morro de São Paulo, a produção acompanha três amigos israelenses em uma viagem ao Brasil logo após o período obrigatório de serviço militar. 

Magic Malibi Express. Foto: Wix.com

Exibida no Channel 10, um dos principais canais de televisão de Israel, e disponível no YouTube, a série apresentou as paisagens naturais do vilarejo para milhões de jovens e acabou funcionando como uma vitrine poderosa do destino.

O rito israelense e a escolha pelo Morro de São Paulo

Viajar depois do serviço militar é quase um rito de passagem entre os jovens israelenses, antes da entrada definitiva no mercado de trabalho. Nesse contexto, Morro de São Paulo passou a figurar como um destino desejado, impulsionado pela identificação criada pela série. 

O resultado foi uma presença crescente e constante desse público, que não apenas visita, mas permanece por longos períodos no local.

A diferença da Bahia e os costumes israelenses

A mudança já se reflete diretamente na economia. O mercado de aluguel por temporada se expandiu e se diversificou, com imóveis sendo adaptados para atender a costumes culturais, religiosos e alimentares específicos.

Hotéis e pousadas precisaram ajustar rotinas para respeitar, por exemplo, os rituais do shabat, que impõem restrições a determinadas atividades.

Nos restaurantes, cardápios em hebraico se tornaram comuns, assim como adaptações no preparo dos pratos para respeitar as restrições alimentares do público judeu.

Além disso, uma sinagoga foi instalada no vilarejo, passando a sediar cerimônias religiosas e celebrações. Eventos culturais e festas de grande porte, inspirados em referências musicais populares em Israel, também já fazem parte do calendário informal do destino.