Carol Lyne. Foto: Divulgação
Carol Lyne. Foto: Divulgação

O Pará ocupa o centro do mapa da “nova” música brasileira, e o Festival Psica 2025 quer provar isso com um line-up que combina tradição, experimentação e a energia de uma cena que não para de se reinventar. Entre 12 e 14 de dezembro, a Cidade Velha e o Mangueirão recebem mais de 70 atrações em uma edição que celebra a Amazônia contemporânea e presta homenagem inédita a Dona Onete.

Da novíssima safra de artistas da região, a doce voz do brega pop Carol Lyne, a força do encontro dos batuques do Toró Açu e Batucada Misteriosa, e a criatividade cintilante do Selo Caqui representam a força da cena contemporânea paraense em uma edição que também celebra grandes nomes da música brasileira e atrações internacionais

“O Pará sempre teve voz, agora o Brasil inteiro está ouvindo”, afirma o diretor Gerson Dias, destacando o compromisso do Psica em amplificar a música que nasce “nos territórios, nos quintais, nas periferias e nas pistas”.

O Festival Psica 2025 tem patrocínio master da Petrobras e patrocínio de Mercado Livre via Lei de Incentivo à Cultura Rouanet, além de patrocínio de O Boticário e apoio da TIM pela Lei Semear. A realização é da Psica Produções, Fundação Cultural do Pará, Governo do Pará, Ministério da Cultura e Governo Federal – Lado do Povo Brasileiro

Tecno, carimbó, quilombo, pista: a nova música paraense

Carol Lyne, nome central do chamado brega soft ou brega pop contemporâneo, mistura sensibilidade pop, estética digital e batidas que atualizam o tecnobrega para as novas gerações. Seu single “Amor Próprio” já ultrapassa 700 mil visualizações no YouTube.

Do quilombo Abacatal, o Toró Açu leva ao Psica um show que funde carimbó, guitarrada e ritmos afro-brasileiros com estética urbana. A apresentação, em parceria com a Batucada Misteriosa, celebra o legado de Mestre Verequete e o protagonismo da juventude periférica que reinventa a tradição.

 “O carimbó não é só ritmo, é vivência. É nossa maneira de se vestir, de nos perfumar, de nos enxergar como carimboseiros. A gente escreve sobre pegar ônibus lotado, sobre beber água de coco na orla, sobre racismo e resistência. Nosso carimbó é urbano, subversivo e político”, define Yuri Moreno, músico da Batucada Misteriosa.

No Abacatal, o Toró Açú reafirma a identidade negra amazônica. “Nossa música é a voz do lugar onde vivemos e da luta dos mais velhos que abriram caminho antes de nós. Cada composição é também uma memória coletiva”, afirma Dawidh Maia, integrante do grupo.

Ambos fazem parte do selo Psica Orgulhosamente Apresenta, trazendo um carimbó vivo — longe do folclore pasteurizado — e profundamente conectado à ancestralidade quilombola e às vivências coletivas amazônicas.

O Selo Caqui, por sua vez, funciona como uma “incubadora amazônica”, reunindo experimentação e colaboração entre nomes como Marés com Sidiane Nunes, Agarby, Laiana do Socorro, W Mate-U, Paso, Lina Leão, Mist Kupp, COUT, Ressoa, Matheus Pojo, Jheni Cohen e Batuque da Lua Crescente.

Todos os sons

Criado em 2012, o Psica é hoje um dos principais festivais independentes do país, reconhecido por sua curadoria ousada e pela forma como valoriza e difunde a cultura amazônica. 

A espinha dorsal do line-up apresenta um recorte robusto da música brasileira e latino-americana contemporânea. Entre os destaques estão Martinho da Vila, Jorge Aragão, Luedji Luna, Urias, Jaloo, Nação Zumbi, Viviane Batidão, Edson Gomes, BK convida Evinha, Melly, Terno Rei, Patrícia Bastos, Trio Manari e D’Água Negra.

A programação ainda traz nomes internacionais como o colombiano Armando Hernández, o trio japonês The 5.6.7.8’s (da trilha de Kill Bill), a cantora caribenha Maleïka e o percussionista franco-martiniquense Boris Percus.

O que conecta todas essas presenças é a força da música produzida hoje no Pará — uma cena que o Psica projetou para o país e segue impulsionando.

“Somos o lugar onde o carimbó encontra o superpop, onde a guitarrada encontra o R&B, onde o Brasil encontra a Pan-Amazônia. Essa diversidade é o que move a gente”, completa o diretor Jeft Dias.

Serviço

Festival Psica 2025 – O Retorno da Dourada
Onde: Cidade Velha – Belém (PA)
Quando: 12, 13 e 14 de dezembro de 2025
Ingressos: Passaportes a partir de R$ 125 (meia) disponíveis na [Ingresse] / Gratuidade: Lista TransFree e PCD’s
Redes: @festivalpsica / Site Oficial

Editado por Luiz Octávio Lucas