Síndrome do coração festeiro preocupa médicos

Presente em confraternizações, churrascos e nas grandes viradas do calendário, o álcool costuma ser visto como parte natural da celebração. Mas o exagero nesse consumo pode trazer um alerta pouco conhecido: a chamada síndrome do coração festeiro. O problema está ligado à ingestão excessiva de bebidas alcoólicas e pode desencadear alterações no ritmo do coração, muitas vezes ainda durante a embriaguez ou poucas horas depois.

A condição está associada principalmente à fibrilação atrial, um tipo de arritmia em que os batimentos cardíacos ficam desorganizados. O sintoma mais comum é a sensação de palpitação, que pode vir acompanhada de cansaço e falta de ar. Segundo o cardiologista Guilherme Drummond Fenelon Costa, do Einstein Hospital Israelita, o risco surge em situações de consumo elevado. “Não é apenas um drink que leva à síndrome. Para ela ocorrer, o indivíduo precisa realmente apresentar um nível de embriaguez muito elevado”, explica o especialista.

Os efeitos do álcool no organismo ajudam a entender o problema. A intoxicação pode causar desidratação, alterar o pH do sangue, reduzir eletrólitos e ainda se somar à privação de sono, combinação que favorece o surgimento da arritmia. Estudos mais recentes reforçam esse vínculo. Uma revisão científica publicada em 2025 mostrou que o chamado binge drinking: consumo de várias doses em pouco tempo, é um gatilho consistente para alterações no ritmo cardíaco. “Mesmo em jovens saudáveis, a ingestão aguda de álcool produziu mudanças no sistema que controla o coração”, destaca o pesquisador Jhiamluka Zservando Solano Velasquez, da Universidade de Oxford.

Embora, em muitos casos, a arritmia melhore espontaneamente em até dois dias, o risco não deve ser ignorado. A reincidência é possível, especialmente em pessoas com histórico de doenças cardíacas ou acima dos 60 anos. Além disso, entidades como a Organização Mundial da Saúde alertam que não existe um nível totalmente seguro de consumo de álcool. O conselho dos especialistas é simples e direto: moderação. “O equilíbrio precisa ser a palavra-chave. Quem decide beber para celebrar deve evitar excessos e respeitar os limites do próprio corpo”, orienta o cardiologista.

Matheus de Oliveira

Jornalista. MBA em Comunicação Empresarial, Marketing e Esportivo. Pós-graduado em Gestão do Esporte e Mídias Digitais. Apaixonado por contar histórias e conectar pessoas através do esporte. | @mathmiroli

Jornalista. MBA em Comunicação Empresarial, Marketing e Esportivo. Pós-graduado em Gestão do Esporte e Mídias Digitais. Apaixonado por contar histórias e conectar pessoas através do esporte. | @mathmiroli