
Em expansão no Brasil, o uso das chamadas canetas emagrecedoras segue impulsionado principalmente pelas festas de fim de ano, pela pressa em perder peso e pela crescente utilização desses medicamentos com finalidade estética. Apesar de serem recursos relevantes no tratamento da obesidade e do diabetes, especialistas chamam atenção para os riscos hormonais, os efeitos colaterais e a circulação de substâncias não autorizadas, como a retatrutida, no mercado ilegal.
De acordo com uma pesquisa nacional, 58% dos brasileiros já ouviram falar das canetas para emagrecimento, e esse percentual é superior à média mundial, o que evidencia o aumento do interesse por soluções rápidas para a perda de peso. Medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida atuam em receptores hormonais ligados à saciedade e ao metabolismo. No entanto, o uso sem acompanhamento médico tem resultado em um aumento de reações adversas, como enjoo, vômitos, alterações gastrointestinais, descontrole da glicemia e desequilíbrios hormonais.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ressalta que a comercialização e o uso dessas canetas sem prescrição médica são ilegais. Além disso, propagandas enganosas e esquemas de venda clandestina têm se espalhado pelas redes sociais, oferecendo riscos diretos à saúde. Autoridades também alertam para produtos divulgados como “opções mais potentes”, muitos deles sem qualquer registro sanitário.
Entre essas substâncias está a retatrutida, um medicamento experimental que atua de maneira ainda mais abrangente nos receptores hormonais responsáveis pelo controle do apetite e do peso corporal. Apesar de resultados iniciais promissores em estudos clínicos, a retatrutida não possui aprovação para uso em nenhum país e segue restrita à fase de pesquisa. Mesmo assim, já há relatos de sua compra no mercado ilegal, sem garantia de procedência, segurança ou controle de dosagem.
Riscos e Alertas
O endocrinologista Rubens Tofolo Jr. alerta para os perigos dessa prática. “As canetas emagrecedoras são medicamentos fortes e eficazes quando utilizadas com indicação adequada e acompanhamento médico. Fora dessas condições, podem provocar alterações hormonais importantes e comprometer o equilíbrio do metabolismo”.
O especialista reforça ainda que a automedicação pode resultar em complicações sérias, como pancreatite, hipoglicemia, desidratação intensa e até problemas cardiovasculares, especialmente em indivíduos com doenças pré-existentes.

“O que mais preocupa é a procura por substâncias como a retatrutida no mercado ilegal. Trata-se de um medicamento ainda em estudo, sem aprovação para uso clínico. Comprá-lo ou utilizá-lo de forma clandestina expõe o paciente a riscos graves, pois não há garantia sobre a composição, a dose ou a resposta do organismo. É essencial que as pessoas compreendam que não existe solução segura e imediata para o emagrecimento. Qualquer medicamento deve ser prescrito com critério e acompanhado de perto por um endocrinologista”.
Recomendações ao público
- Consulte um endocrinologista antes de iniciar qualquer medicamento para perda de peso.
- Desconfie de ofertas em redes sociais ou aplicativos de mensagens que vendam canetas sem receita médica.
- Não utilize substâncias sem aprovação sanitária, como a retatrutida.
- Ao apresentar qualquer reação adversa, procure atendimento médico imediatamente.