Foto: Getty Images
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Uma prática perigosa vem ganhando força nas redes sociais (e fora delas): o enema de café, procedimento em que se injeta a bebida pelo reto com a finalidade de “limpar” o intestino. 

Com forte apelo em perfis de influencers, a técnica promete emagrecimento, melhora da digestão, redução de inflamações, alívio da dor, melhora do humor e até cura do câncer. 

Mas cuidado: não há evidências científicas que sustentem essas alegações. A prática não é novidade: ela faz parte da chamada “Terapia de Gerson”, criada na década de 1930 pelo médico alemão Max Gerson, que migrou para os EUA.

Ele defendia uma dieta vegetariana associada a suplementação vitamínica e enemas, incluindo o de café, com a ideia de limpar o fígado e fortalecer o sistema imunológico. 

“É uma teoria empírica, baseada em observação, sem nenhuma comprovação científica, reprodutibilidade ou consistência”, afirma a oncologista clínica Ana Paula Garcia Cardoso, do Einstein Hospital Israelita. 

Os riscos

Não existem estudos que comprovem os benefícios do enema de café para limpeza intestinal ou desintoxicação do organismo. Por outro lado, os riscos podem ser graves. 

Entre os efeitos imediatos estão cólica, dor, urgência para evacuar, diarreia e sangramentos, além de queimaduras retais e desidratação. 

O uso frequente ou inadequado também pode provocar inflamação da mucosa intestinal, alterações eletrolíticas, palpitações e ansiedade devido à absorção de cafeína. 

Em casos mais graves, pode haver perfuração intestinal e infecções generalizadas. Indivíduos com doença inflamatória intestinal, hemorroidas, fissuras, imunossupressão ou que passaram por cirurgias no cólon ou reto são ainda mais suscetíveis a riscos.

Para quem deseja melhorar a digestão e a saúde intestinal, o ideal é procurar um médico especialista. Além disso, faz bem adotar hábitos como ingerir mais alimentos fontes de fibras; reduzir o consumo de carne vermelha e gorduras de origem animal.

Fonte: Agência Einstein