
Cada vez mais presente em conteúdos pornô e adotada por jovens em busca de “adrenalina” no sexo, a asfixia erótica — ou asfixiofilia — tem sido vista por especialistas como um sério problema de saúde. A prática consiste em restringir o fluxo de oxigênio por compressão do pescoço, seja das artérias carótidas, seja da traquéia. Pode até parecer inofensiva para quem copia o que vê na internet, mas os riscos são significativos e, segundo médicos, não há forma segura de realizá-la.
Pesquisas internacionais mostram que o fenômeno avança rapidamente entre jovens adultos: nos Estados Unidos, 58% das universitárias relatam já ter sido asfixiadas durante o sexo; na Austrália, 57% dos entrevistados afirmaram o mesmo. No Brasil, embora faltem dados, ginecologistas e neurologistas observam o aumento dessa demanda nos consultórios.
DANO CEREBRAL
E os problemas não são poucos. Um estudo recente do Journal of Sexual Medicine detectou níveis elevados de S100B — marcador de dano cerebral — em mulheres que sofreram episódios repetidos de asfixia erótica no último mês. As lesões podem ser silenciosas e se acumular ao longo dos anos. Neurologistas comparam seus efeitos a microtraumas semelhantes aos vividos por atletas de esportes de impacto.
Entre as consequências imediatas estão desmaios, tontura, visão turva, perda de consciência e risco de morte. A lista de danos possíveis inclui desde fraturas de laringe e traqueia, arritmias e parada cardíaca até edema de glote e aspiração de vômito. A longo prazo, a redução repetida de oxigênio no cérebro pode desencadear AVC isquêmico, convulsões, demências, alterações cognitivas e motoras, além de quadros psiquiátricos como ansiedade, depressão e transtornos de personalidade.
Em grávidas, a prática é ainda mais perigosa, podendo provocar hipóxia materno-fetal, picos de pressão e até aborto espontâneo.
IDEIA EQUIVOCADA DE PRAZER
Profissionais de saúde alertam também para o impacto emocional e relacional. A falta de educação sexual e o consumo de pornografia sem filtro levam muitos jovens a normalizar algo que não compreendem totalmente. Especialistas relatam casos de pacientes que aceitam práticas com medo de desagradar o parceiro, confundem violência com erotismo ou associam a descarga química de adrenalina e dopamina à ideia equivocada de prazer.
Ginecologistas, psicólogos e psiquiatras defendem que o atendimento deve ser acolhedor e sem julgamentos — mas orientam de forma clara: consentimento precisa ser informado, contínuo e livre, e qualquer sinal de desconforto, medo ou pressão emocional é motivo para parar imediatamente.
A mensagem dos médicos é direta: a asfixia erótica envolve riscos sérios, imprevisíveis e potencialmente irreversíveis. “Prazer, respeito e segurança precisam caminhar juntos”, afirmam os especialistas. Quando o jogo ultrapassa o limite do corpo — e da consciência — não há fantasia que valha o risco.