Foto: UGT
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Na manhã desta quinta-feira (13), a Green Zone da COP30, no Parque da Cidade, recebeu o painel “Estratégias Sindicais para Transição Justa, Trabalho, Meio Ambiente, Justiça Social e Climática”, promovido pela União Geral dos Trabalhadores (UGT). O encontro reuniu lideranças sindicais, empresários, estudantes, pesquisadores e representantes da sociedade civil para debater como o movimento sindical pode contribuir para uma economia de baixo carbono que não deixe trabalhadores para trás.

O debate abordou os impactos das mudanças climáticas no mundo do trabalho e reforçou o papel da negociação coletiva na construção de soluções que conciliem desenvolvimento econômico, proteção ambiental e valorização dos trabalhadores, especialmente os mais vulneráveis.

“Transição justa só existe com justiça social”, afirma UGT

O secretário nacional do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da UGT, José Francisco, destacou que a transição ecológica precisa considerar as desigualdades sociais, sobretudo na Amazônia, região central das discussões da COP30.

“Aqui se está discutindo uma centena de coisas em relação ao clima, mas o que é mais importante para o trabalhador e para o povo do Brasil e do mundo é a transição justa. Não se pode ter transição justa sem justiça social. Precisamos de emprego verde para continuar tendo a Amazônia viva e as florestas de pé. A COP30 é a COP da Amazônia, a COP de Belém”, afirmou.

Em entrevista, ele reforçou que a participação dos trabalhadores e das populações tradicionais é condição essencial para que a transição seja realmente inclusiva.

“Não há transição justa sem justiça social. Não há transição justa sem a participação dos trabalhadores e das trabalhadoras. Manter a floresta em pé é possível se houver emprego, educação, saúde e alimentação para esses trabalhadores, principalmente indígenas, quilombolas e ribeirinhos.”

Atuação da UGT na COP30

José Francisco explicou que a UGT vem se preparando para a COP30 desde o ano passado, realizando seminários em diversas regiões do Pará, como Santarém, Parauapebas e Capanema, para ampliar o diálogo sobre trabalho decente, bioeconomia e os desafios socioambientais da Amazônia.

O painel desta quinta reuniu convidados nacionais e internacionais de destaque, como: Raoni, representante da OIT na Amazônia; Caira, da Confederação Sindical das Américas (CSA); Everson, do DIEESE, que abordou os riscos da pejotização e seus impactos na transição verde.
Mesmo com a limitação de credenciais impostas às centrais sindicais locais, a UGT reforçou sua presença. Segundo José Francisco, a entidade representa mais de 600 mil trabalhadores no Pará.

“Infelizmente, só conseguimos dois crachás para representação aqui, mas estamos participando e discutindo. Não abrimos mão de afirmar: transição justa só com justiça social.”

O conceito de transição justa, criado por sindicatos internacionais, propõe que a transformação para uma economia de baixo carbono seja: inclusiva, democrática, protetora dos direitos trabalhistas e capaz de gerar empregos verdes sem aprofundar desigualdades.A participação da UGT na COP30 reforça a importância de colocar trabalhadores, povos tradicionais e populações amazônicas no centro das decisões sobre o futuro climático e econômico do país.

Editado por Luiz Octávio Lucas

Trayce Melo

Repórter

Jornalista com experiência em redação, conteúdo digital e comunicação pública. Atuou na Secretaria de Turismo do Pará, na Prefeitura de São Sebastião da Boa Vista e como analista de marketing na Enter Agência Digital. Vencedora do Prêmio Internacional Premium COP 30 Amazônia. Atualmente, é repórter do Diário do Pará.

Jornalista com experiência em redação, conteúdo digital e comunicação pública. Atuou na Secretaria de Turismo do Pará, na Prefeitura de São Sebastião da Boa Vista e como analista de marketing na Enter Agência Digital. Vencedora do Prêmio Internacional Premium COP 30 Amazônia. Atualmente, é repórter do Diário do Pará.