Foto: Mauro Ângelo/ Diário do Pará.
Foto: Mauro Ângelo/ Diário do Pará.

Belém e Pará - Os desafios da educação e do letramento ambiental foram temas de encontros de professores durante a COP30, em Belém. Professores da comunidade Conectando Saberes, iniciativa da Nova Escola, acompanharam de perto o evento e compartilharam experiências com a sociedade civil sobre a importância da capacitação e formação como prioridades. 

Eles marcaram presença na TeachersCOP, encontro internacional do Escritório para Educação Climática (OCE) que destaca o trabalho dos professores, os desafios que enfrentam e seu papel essencial na resposta global às mudanças climáticas. Além disso, tiveram agendas de rodas de conversa, oficinas e visitas na cidade durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. 

“O fato de a Conferência ser no Brasil, na Amazônia, eleva o contexto do país a um ponto de reflexão sobre a educação climática”, afirma Ana Lígia Scachetti, diretora-executiva da Nova Escola.

Recentemente, uma pesquisa nacional da Nova Escola, em parceria com o Office for Climate Education (OCE), mostrou que 92% dos professores brasileiros consideram a educação climática muito importante, mas menos da metade consegue abordar o tema semanalmente. O levantamento com 1.600 educadores indica que 38% não se sentem seguros para ensinar os fundamentos científicos das mudanças climáticas e mais de 40% das escolas não possuem plano de ação climática em seus Projetos Político-Pedagógicos. Apesar disso, 86% dos docentes demonstram interesse em formação continuada.

“Grandes eventos como enchentes e calor impactam o cotidiano das escolas e dos alunos. Ensinar sobre o assunto para jovens faz com que eles entendam o que está ocorrendo ao redor. Além disso, a relação com cidadania e pensamento crítico dentro da escola fazem parte da educação climatica”, diz o especialista pedagógico, Cristiano Ferraz.

A participação dos docentes na COP30 é resultado do curso “Professores na Era de IA”, realizado pela Nova Escola em parceria com a Patrick J. McGovern Foundation, que promoveu formação, inclusão de metodologias de projeto e uso de Inteligência Artificial na educação. Os docentes desenvolveram e multiplicaram projetos de impacto em suas redes de ensino.

“O futuro começa na educação. É através das crianças que nasce a verdadeira transformação. Elas levam o aprendizado para casa e compartilham com a família. E são os educadores que despertam isso nas crianças”, ressalta Gerverson da Silva, professor da educação infantil do Paraná.A programação dos educadores em Belém também incluiu visitas à Escola Bosque, referência em Soluções Baseadas na Natureza, e à Universidade do Estado do Pará, onde compartilharam experiências sobre a valorização e o fortalecimento da educação escolar indígena, com a participação de lideranças, pesquisadores e educadores de todo o país em diferentes contextos escolares.

Editado por Débora Costa