Veja o resumo da noticia
- Discussões da COP30 prosseguem na Zona Azul com impasse sobre o texto final e a busca por consenso entre ministros e delegados.
- A exemplo da COP29, a COP30 enfrenta dificuldades para finalizar as negociações no prazo, devido à necessidade de unanimidade.
- Principal divergência na COP30 é a inclusão de um 'mapa do caminho' para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis.
- Remoção da menção ao 'mapa do caminho' no rascunho gerou insatisfação em delegações e representantes da sociedade civil.
- Colômbia e Países Baixos anunciam conferência paralela em 2026 para discutir a transição para longe dos combustíveis fósseis.

A movimentação que se seguiu após a plenária de balanço realizada pela Presidência da COP30 no meio da manhã de sexta-feira (21) dita o tom das negociações que seguem em curso na Zona Azul. Na frente da sala de reuniões onde ministros e delegados tentam entrar em consenso sobre o texto final da conferência, jornalistas e observadores se aglomeram para tentar captar algum sinal, otimista ou não.
O impasse se dá em um momento decisivo da conferência. Oficialmente, a COP30 encerraria nesta sexta-feira (21), mas na história das COPs, nem sempre as negociações acabam quando deveriam.
Na COP29, em Baku, a grande maioria dos participantes encerrou a sua participação na conferência no último dia oficial, retornando para os seus países. Mas os negociadores seguiram e o texto final da COP de Baku só foi alcançado dois dias depois do previsto. Isso porque qualquer decisão no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) precisa ser alcançada com a unanimidade dos países que estão negociando.
Divergências na COP30
Nesta COP30, um dos grandes temas de divergência é a inclusão de famoso “mapa do caminho” que leve para longe dos combustíveis fósseis. Figurando nas falas de representantes da UNFCCC e do próprio Presidente Lula desde o início da conferência, a estratégia é vista como uma das grandes entregas esperadas para a COP30. Nos rascunhos divulgados pela Presidência da COP na última quarta-feira (19), o termo estava presente. Mas o mais recente documento, publicado na manhã desta sexta-feira, retirou qualquer menção ao mapa que deveria prever a eliminação gradual dos combustíveis fósseis.
O novo documento gerou insatisfação em representantes da sociedade civil, em cientistas e nas delegações de muitos países que defendem que essa deve ser a COP30 da implementação do mapa do caminho para a transição energética.
Deixando claro que as negociações seguem longe de um consenso, a ministra de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, Irene Vélez Torres, deixou a sala de reuniões, no início da tarde, demonstrando indignação com a ausência de referência ao “mapa do caminho” no rascunho atual. Irene lidera o grupo de 82 países que se reuniram em bloco para defender a inclusão do roteiro de transição energética já na COP30.
Conferência Paralela em 2026
Mais cedo, inclusive, representantes dos países se reuniram novamente na sala de imprensa e anunciaram a realização de uma conferência paralela para discutir o tema em 2026, a 1ª Conferência sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis. O evento, encabeçado pela Colômbia e Países Baixos, deve ser realizado em Abril de 2026 em Santa Marta, cidade colombiana.