
O setor mineral do Pará entrou na pauta da COP 30 com um tema que atravessa boa parte das discussões em Belém: a transição energética. No painel “Minerais Estratégicos: da Extração Sustentável à Geração de Valor”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) na Blue Zone, representantes do Sindicato das Indústrias Minerais do Pará (Simineral) abordaram a necessidade de alinhar a produção de minerais estratégicos, como alumínio, cobre e níquel, às metas globais de descarbonização e à pressão por práticas mais sustentáveis na Amazônia.
A fala do presidente do Simineral e CEO da Norsk Hydro Brasil, Anderson Baranov, foi centrada na ideia de que o Pará ocupa posição-chave na cadeia de fornecimento de matérias-primas essenciais à economia verde. Ele destacou que o avanço da mobilidade elétrica e das energias renováveis aumenta a demanda por esses insumos e exige do setor mineral uma adaptação tecnológica e ambiental. “O mundo caminha para uma economia de baixo carbono, e o Pará está no centro dessa transformação”, afirmou.
Desafios e Oportunidades na Produção Mineral Sustentável
Mas a tônica dos debates foi menos de celebração e mais de alerta: o desafio de conciliar produção e sustentabilidade continua sendo o principal ponto de tensão. O diretor executivo do Simineral, Emerson Rocha, defendeu que a transição energética precisa gerar também oportunidades para a população local. “A Amazônia é floresta e gente em pé. Isso passa por promover conhecimento e qualidade de vida com atividades econômicas responsáveis”, disse.
Nos bastidores e nos corredores do evento, a discussão sobre mineração na Amazônia aparece como uma das mais sensíveis. Se de um lado o setor busca se firmar como parte da solução para a economia de baixo carbono, de outro enfrenta pressões por maior transparência, controle ambiental e redistribuição dos benefícios econômicos. A COP 30, ao reunir governos, empresas e sociedade civil, tem servido como espaço para esse confronto de visões.
O Papel do Simineral no Debate Climático
Ao longo da conferência, o Simineral participa de painéis e encontros voltados a temas como minerais críticos, economia circular e inovação em processos de extração. A presença da entidade reforça o esforço do setor em se inserir no debate climático — e também a cobrança crescente por compromissos concretos com a sustentabilidade na região.
Editado por Luiz Octávio Lucas