
Chamando a atenção para a responsabilidade que se tem ao discutir caminhos para combater as mudanças climáticas em plena Amazônia, a Ministra do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Brasil, Marina Silva, defendeu a agenda de adaptação durante seu pronunciamento no Segmento de Alto Nível da COP30, que teve continuidade ao longo desta terça-feira (18). Iniciada na segunda semana de conferência, o período marca a fase mais política das negociações.
No evento dedicado às Declarações Nacionais de ministros de 166 países, Marina Silva destacou que as decisões tomadas em Belém precisam estar à altura da urgência climática e da grandeza do território que recebe a COP30, pontuando que a adaptação precisa estar no centro da resposta global. “Proteger pessoas e territórios terrestres e marítimos depende de instrumentos concretos para medir progresso, orientar políticas e reduzir vulnerabilidades. Por isso, é fundamental que essa COP 30 saia com os indicadores globais de adaptação finalmente aprovados”.
A ministra lembrou, ainda, o alerta da ciência de que, para manter o aumento máximo da temperatura global em 1,5ºC, é preciso ação rápida, ambição reforçada e implementação acelerada das NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) dos países. Ela ainda destacou a necessidade de diferenciar as responsabilidades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.
“Países desenvolvidos com maior responsabilidade histórica e mais recursos devem agir mais e mais rápido. Países em desenvolvimento também precisam estar comprometidos com acesso efetivo aos meios de implementação, em plena coerência com seus objetivos de desenvolvimento sustentável e redução das desigualdades”, posicionou-se.
“Essa é a essência de uma transição justa: proteger pessoas, fortalecer resiliência e orientar decisões pela ciência, tanto a ciência moderna, quanto a ciência dos conhecimentos dos povos originários”.
COP30 e a Urgência Climática
Mapa do caminho
Marina Silva lembrou, ainda, que na abertura da COP30 o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi categórico ao afirmar que é necessário um mapa do caminho para reverter o desmatamento e superar progressivamente a dependência dos combustíveis fósseis.
“Não há resposta única ou universal para o enfrentamento do desafio que está diante de nós. É necessário diálogo estruturado, troca de experiência e estratégia de longo prazo, contemplando países produtores e países consumidores de combustíveis fósseis. Precisamos planejar o caminho e garantir os recursos financeiros e suporte técnico para reduzir a alta dependência desses combustíveis fósseis para geração de emprego e segurança energética em várias partes do mundo, sobretudo nos países em desenvolvimento”, defendeu.
“Se a estrela do Norte sempre guiou navegantes em busca de direção segura e o Cruzeiro do Sul sempre orientou povos que cruzaram o oceano em busca de novos mundos, que agora ambas as constelações nos ajudem a guiar a humanidade rumo a um novo e seguro ciclo de prosperidade, de paz entre os povos e com a natureza”.