
No encerramento da Cúpula de Líderes, nesta quinta-feira, 7 de novembro, evento preparatório para a COP30 que começa na próxima segunda, 10, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso protocolar e sem novidades, reforçando a defesa do multilateralismo, da justiça climática e da necessidade de transformar compromissos em ações concretas.
Com mais de uma hora de atraso em relação ao horário de 15h30 previsto para o início da sessão, Lula iniciou sua fala pedindo desculpas pelos atrasos acumulados durante os dois dias de programação e, em seguida, destacou que o Brasil quer fazer da COP30, em Belém, “a COP da verdade”.
Lula e o Acordo de Paris na COP30
Na terceira sessão temática da Mesa de Líderes, intitulada “10 Anos do Acordo de Paris: Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e Financiamento”, Lula afirmou que o mundo ainda está distante de atingir o objetivo do Acordo de Paris e questionou se os países realmente estão fazendo o melhor possível.
“A resposta é: ainda não”, disse o presidente. Ele ressaltou que cem países, responsáveis por 73% das emissões globais, já apresentaram suas metas revisadas, mas o planeta ainda caminha para um aquecimento de 2,5 °C.
Lula destacou que “no que depender do Brasil, Belém será o lugar onde renovaremos o Acordo de Paris”, com medidas adicionais para preencher a lacuna entre a retórica e a realidade. O presidente reforçou a importância do financiamento climático, afirmando que exigir ambição dos países em desenvolvimento sem oferecer meios de implementação é “injusto e irrealista”.
Segundo ele, o chamado “mapa do caminho Baku-Belém” mostra que é possível mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano, desde que haja vontade política. Lula criticou o fato de a maior parte dos recursos ainda ser oferecida em forma de empréstimo.
“Não faz sentido ético ou prático demandar que países em desenvolvimento paguem juros para conter o aquecimento global”, criticou.
Financiamento Climático e Justiça
O presidente também defendeu a criação de um imposto mínimo sobre corporações multinacionais e a tributação de grandes fortunas como fontes de financiamento da ação climática. “Um indivíduo do 0,1% mais rico do planeta emite em um único dia mais carbono que os 50% mais pobres durante um ano inteiro”, observou.
Lula reiterou o apoio do Brasil à coalizão aberta do mercado regulado de carbono, formada por Brasil, China e União Europeia, e defendeu a criação de regras comuns para o comércio de créditos de carbono. Ele também reafirmou o compromisso do país com a proteção dos territórios indígenas e comunidades tradicionais como instrumentos de mitigação climática.Encerrando o discurso, o presidente lançou um apelo global.
“Não existe solução para o planeta fora do multilateralismo. A Terra é única, a humanidade é uma só. A resposta tem que vir de todos para todos. Em vez de abandonar as esperanças, podemos construir juntos uma nova era de prosperidade e igualdade”, terminou.
Bilateral
Antes, o presidente e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, realizaram uma reunião bilateral, no mesmo local onde ocorreu a Cúpula de Líderes da COP30. Este foi o primeiro encontro formal entre os dois líderes.
O chanceler Merz parabenizou o presidente Lula pela liderança na COP30, elogiou a organização e a infraestrutura do evento, e disse que a escolha de Belém com sede foi um acerto.
A Alemanha anunciou o compromisso de realizar um aporte significativo ao Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) – mas não detalhou valores.
Lula destacou a importância de a COP30 discutir a elaboração de um Mapa do Caminho para a eliminação dos combustíveis fósseis, defendendo a possibilidade de quadruplicar o uso de biocombustíveis e hidrogênio verde.
Ambos manifestaram entusiasmo com a perspectiva de ratificação do acordo Mercosul-União Europeia até o fim de dezembro. Eles reafirmaram os laços históricos entre Brasil e Alemanha, apontando para oportunidades de aprofundar parcerias em cadeias produtivas e no setor de minerais críticos.
Os líderes também concordaram sobre a necessidade de reforma das Nações Unidas para adequá-la à realidade de 2025, fortalecendo o multilateralismo.