Green Zone lotada no último dia da COP30
Foto: Trayce Melo
Green Zone lotada no último dia da COP30 Foto: Trayce Melo

O último dia da GreenZone, nesta sexta-feira (21), reuniu uma multidão que lotou os corredores, estandes e áreas externas do espaço, consolidando o evento como um dos mais participativos da programação da COP30, realizada em Belém. A movimentação intensa começou cedo, com visitantes formando filas nos acessos principais e lotando atividades culturais, debates e exposições dedicadas à pauta climática. Para muitos, a experiência foi inédita, tanto pelo porte do evento quanto pelo encontro com culturas, projetos e perspectivas diversas.

Confira as imagens:


Entre os que acompanharam a maratona de doze dias está Carlos Matheus, 27 anos, universitário e consultor da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), que atuou na recepção da GreenZone. Ele conta que a vivência foi intensa e transformadora:
“Nossa, foi incrível, porque eu consegui me conectar com muitas culturas, principalmente aqui na recepção. Muitas pessoas vinham com curiosidades sobre várias coisas: o que é a OEI, por exemplo. Aí explico que é uma das cooperativas que faz parte da COBE. É muito positivo poder incentivar e divulgar projetos que existem para apoiar jovens, ativistas e pessoas engajadas”, relatou.


Carlos trabalhou majoritariamente na área Green, mas também circulou entre a Blue. Para ele, além da troca cultural, a experiência levantou questionamentos importantes sobre o papel das empresas nas discussões climáticas. “Eu fico me questionando sobre a participação de muitas empresas que estão aqui apoiando a COP, mas a custo de quê? Com qual objetivo? Será que querem realmente mitigar a situação ou só limpar a imagem?”, disse, mencionando que debates com jovens de vários países o motivaram a refletir ainda mais sobre a responsabilidade corporativa e a urgência de proteger povos originários e territórios vulneráveis. Ele destacou ainda o histórico da OEI na promoção de debates de desenvolvimento desde 1949, em contraste com empresas que, segundo ele, não apresentam a mesma transparência.


Também presente no último dia, Stellanny Cilene, 24 anos, universitária e consultora da OEI, celebrou o encerramento após uma rotina intensa: “Hoje eu e o Carlos tiramos para curtir um pouquinho, porque foram doze dias muito intensos na COP. Trabalhamos muito com produção e recepção. A COP está sendo uma experiência única; eu nunca achei que veria algo desse tamanho em Belém”, afirmou.

A Experiência na GreenZone

Para ela, a diversidade de pessoas circulando pela GreenZone foi uma das marcas mais positivas. “Tenho contato com pessoas de muitos lugares, do Brasil e de fora. A gente já vai desenrolando no inglês, no espanhol… Está sendo maravilhoso. Tem desafios, claro, mas é uma experiência ímpar”, contou.


Stellanny também destacou a importância da abertura ao público geral, algo que, segundo ela, muitos não esperavam: “Muita gente achava que seria tudo fechado, só para líderes, mas ter esse espaço para a sociedade civil é genial. Aqui há debates, palestras, e eu vejo o pessoal participando, olhando, se interessando pelo assunto. Essa integração é fantástica”.

Ao refletir sobre o legado climático desta edição, ela foi categórica: “Pela primeira vez a floresta amazônica esteve no centro. Em outras COPs não teve esse foco. Acho que essa COP serviu para mostrar que a Amazônia merece ser protegida tanto quanto qualquer outro bioma. Esse é o maior legado: trazer visibilidade para a Amazônia”.


Com recorde de público, relatos emocionados e debates profundos, o último dia da GreenZone encerra uma edição histórica, marcada pela pluralidade de vozes, pela participação ativa da sociedade e pela reafirmação do papel central da Amazônia na agenda climática global.

Trayce Melo

Repórter

Jornalista formada pela Unama (2019), com experiência em redação, comunicação pública e conteúdo digital. Atua no jornal Diário do Pará, cobrindo futebol e esportes no Norte.

Jornalista formada pela Unama (2019), com experiência em redação, comunicação pública e conteúdo digital. Atua no jornal Diário do Pará, cobrindo futebol e esportes no Norte.