Foto de Sergio Moraes/COP30
Foto de Sergio Moraes/COP30

A transição para uma economia de baixo carbono tem um novo endereço: a Amazônia. E na Green Zone da COP 30, o coração pulsante do evento em Belém, o tema da economia verde ganhou força, com bancos, fundos de investimento e startups apresentando soluções para transformar o potencial amazônico em oportunidade econômica sustentável.

Por trás das conferências e negociações diplomáticas, o movimento é claro: o capital verde começa a ganhar forma concreta. Linhas de crédito, novos mecanismos de financiamento e parcerias público-privadas estão sendo lançadas para impulsionar a bioeconomia, as energias limpas e os negócios de impacto socioambiental na região.

Dinheiro que nasce da floresta

Nos corredores da Green Zone, bancos e instituições financeiras brasileiras e internacionais compartilham uma mesma narrativa: investir na Amazônia é investir no futuro do planeta. O BNDES, o Banco da Amazônia, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), o Fundo Amazônia, a FINEP e o Sebrae marcam presença com estandes que apresentam produtos voltados à sustentabilidade e à inovação.

O Banco da Amazônia, por exemplo, destaca seus programas de crédito voltados a empreendedores locais e cooperativas que atuam em cadeias produtivas sustentáveis, do açaí à castanha, dos óleos essenciais aos biocosméticos. Já o BNDES reforça o papel do Fundo Amazônia, que voltou a receber aportes internacionais e deve financiar projetos de restauração florestal, infraestrutura verde e tecnologia limpa.

Startups e Inovação na COP 30

Ao lado desses gigantes, startups amazônidas ganham espaço e voz. Apoiadas por programas do Sebrae e da FINEP, elas apresentam soluções em biotecnologia, energia renovável, monitoramento florestal via satélite e economia circular. São negócios que unem inovação e conhecimento tradicional, mostrando que a bioeconomia não é apenas uma ideia, mas um ecossistema em crescimento.

No estande do Banco do Brasil, a executiva de diretoria ASG, Walleria Viana, destacou que o banco tem buscado consolidar políticas integradas de sustentabilidade que ultrapassam o plano institucional e se conectam diretamente ao território e à transição ecológica.

“A sustentabilidade não pode ser algo acessório. Ela precisa vir na ordem do dia. Não é pano de fundo, é pano de frente, de ação mesmo. A gente precisa passar de fase”, afirmou Walleria.

A executiva reforçou que o banco vem estruturando sua presença na COP 30 com foco no legado pós-evento, garantindo continuidade das ações anunciadas:

“Quando construímos a estratégia do Banco do Brasil para a COP 30, pensamos no que ficaria no pós-COP. Não é sobre fazer um evento. Aqui é construção, é caminhada. Estamos demonstrando essa construção, esses diálogos e esse legado.”

Ela também enfatizou o compromisso do banco com práticas internas de integridade e respeito, alinhadas às políticas socioambientais: “Repudiamos qualquer ato de discriminação. A estratégia corporativa precisa estar pautada em ações efetivas, e isso inclui o ambiente interno. Sustentabilidade é compromisso integral.”

Ações da Caixa na COP 30

Outro estande que ganhou destaque foi o da Caixa, que apresentou uma série de iniciativas voltadas à sustentabilidade e à mitigação dos impactos climáticos. O vice-presidente de Sustentabilidade e Cidadania, Jean Benevides, destacou, durante entrevista, o papel do banco na construção de uma agenda concreta de ações climáticas.

“A Caixa está presente com ações muito efetivas aqui na COP. Além de um espaço na entrada da Zona Verde, estamos recebendo a população e participantes de outros países para mostrar o que a Caixa e o Brasil vêm fazendo de forma efetiva no combate às mudanças climáticas, na preparação das cidades e biomas para o enfrentamento dessa crise”, afirmou Benevides.

Entre as medidas anunciadas está o Protocolo Caixa de Atuação em Desastres Ambientais e Climáticos, que estabelece um conjunto de ações emergenciais em situações de catástrofes, incluindo o envio de agências móveis, liberação de auxílios e acesso facilitado ao FGTS para famílias e municípios afetados.

Benevides também destacou a captação de recursos internacionais via o Fundo Verde do Clima, das Nações Unidas, uma das principais fontes globais de financiamento climático.

“A Caixa se credenciou como uma das três instituições brasileiras aptas a acessar recursos desse fundo. Isso nos permite captar investimentos a juros baixos para infraestrutura sustentável e cidades mais resilientes”, explicou.

Calculadora de Carbono

Além das iniciativas estruturais, o estande da Caixa convida o público a participar ativamente da agenda climática com uma calculadora de carbono, que permite compensar as emissões das viagens até a COP.

“Esses créditos de carbono vêm de aterros sanitários que capturam o gás metano, transformando-o em energia. Eles estão sendo usados não só para compensações individuais, mas também para tornar a COP 30 um evento net zero”, completou Benevides.

Editado por Luiz Octávio Lucas

Trayce Melo

Repórter

Jornalista com experiência em redação, conteúdo digital e comunicação pública. Atuou na Secretaria de Turismo do Pará, na Prefeitura de São Sebastião da Boa Vista e como analista de marketing na Enter Agência Digital. Vencedora do Prêmio Internacional Premium COP 30 Amazônia. Atualmente, é repórter do Diário do Pará.

Jornalista com experiência em redação, conteúdo digital e comunicação pública. Atuou na Secretaria de Turismo do Pará, na Prefeitura de São Sebastião da Boa Vista e como analista de marketing na Enter Agência Digital. Vencedora do Prêmio Internacional Premium COP 30 Amazônia. Atualmente, é repórter do Diário do Pará.