COP 30 (BLUE ZONE) Foto: Mauro Ângelo/ Diário do Pará.
COP 30 (BLUE ZONE) Foto: Mauro Ângelo/ Diário do Pará.

Pará - Fortalecimento da sociobioeconomia, apoio no combate ao desmatamento e queimadas ilegais, e estruturação de um modelo econômico circular estão entre os grandes legados que a indústria da Amazônia pretende deixar após a COP30. Compromissos estruturados em programas formulados pela Jornada COP+, movimento multissetorial liderado pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), e que serão apresentados na Cúpula de Inovação e Sustentabilidade da Indústria, nesta terça-feira, 18, na Casa SESI Indústria Criativa, das 8h às 11h. O evento é aberto ao público, com inscrições pelo link.

A programação promovida em parceria com a Confederação Nacional da Indústria reunirá autoridades e representantes do setor produtivo e contará com painéis e sessões especiais. Serão apresentados os três grandes programas que compõem a Jornada COP+ e que serão permanentes na FIEPA: Programa de Sociobioeconomia; Programa de Apoio no Combate ao Desmatamento e Queimadas Ilegais; e Programa de Economia Circular.

Durante o evento, também será lançado o Guia de Práticas Sustentáveis para a Indústria da Amazônia, formulado pela Jornada COP+. O guia foi pensado para ampliar a adesão das indústrias, principalmente as pequenas e médias, acerca de conceitos e caminhos possíveis para uma indústria sustentável. A Cúpula também pretende ser um chamado à ação, com apresentação de metas a serem implementadas até 2030 e fechamento de parcerias.

Conheça os programas da Jornada que serão apresentados

O Programa pelo Combate ao Desmatamento e Queimadas Ilegais é liderado pelo setor privado, indústrias e agroindústrias paraenses inicia neste ano e vai até 2030, com três componentes principais: o de diagnóstico, para entender as ilegalidades e o quanto o setor empresarial perde com essas práticas; o de engajamento, ao envolver empresas de setores que se relacionam diretamente com a produção, principalmente na economia; e o de ação direta, com a identificação dos pontos, focos de desmatamento e queimadas, e o reporte dessas informações.

Os primeiros setores engajados são o da carne, da madeira e o de grãos. O programa também quer envolver o cidadão comum, fazendo com que ele seja protagonista de ações de conscientização, monitoramento e articulação com o poder público para coibir as práticas predatórias. A iniciativa também procura estimular práticas produtivas sustentáveis, com uso de tecnologia, gestão eficiente e governança responsável, com ações de ESG no entorno de grandes empreendimentos, capacitação de pequenos produtores e apoio às brigadas de incêndio.

Em parceria com o Instituto Bem da Amazônia e o Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará, a Jornada COP+ também realiza o Programa de Sociobioeconomia, que quer contribuir diretamente para o planejamento de políticas mais eficazes à economia que  preserva a floresta em pé e valoriza os povos da Amazônia. O Programa também tem como propósito o diagnóstico da produção industrial e de empregos da bioeconomia, realizando estudo aprofundado sobre o setor produtivo da bioeconomia, seus impactos na geração de emprego e suas tendências. O objetivo é basear decisões estratégicas e identificar oportunidades de negócio. Entre as iniciativas, está a criação de plataforma digital georreferenciada para mapear cadeias produtivas de valor, que reunirá de forma integrada cadastro de produtores, indústrias e agroindústrias.

Também serão gerados relatórios técnicos sobre os impactos sociais, econômicos e ambientais da sociobioeconomia. A ideia é que eles possam basear decisões mais responsáveis e informadas por parte de gestores públicos e privados. O programa também conta com Observatório da Bioeconomia, que será uma estrutura de monitoramento e análise estratégica para orientar políticas públicas, decisões de investimento e fomentar a transparência no setor. O trabalho utiliza a metodologia desenvolvida pelo professor Francisco de Assis Costa, do Núcleo de Altos Estudos da Amazônia (NAEA/UFPA).

Entre os legados do movimento, também está a criação do Programa de Economia Circular da FIEPA. O programa que será permanente pretende atuar junto ao poder público na formulação de políticas voltadas à logística reversa e gestão de resíduos sólidos, com foco no setor produtivo. A iniciativa prevê o mapeamento e divulgação de boas práticas do setor industrial voltados a esta economia, ações de capacitação e letramento, além do oferecimento de soluções  de circularidade para a indústria.

Editado por Débora Costa