
Os sinos da Basílica Santuário anunciaram o fim da quadra nazarena. A última última procissão oficial do Círio de Nazaré, o Recírio, ocorreu nesta segunda-feira (27), marcando a despedida da festividade mariana e da Imagem Peregrina de Nossa Senhora das ruas de Belém. A 14a procissão foi marcada pela forte emoção dos fiéis, que aproveitaram a oportunidade para pedir e agradecer pela intercessão da Rainha da Amazônia por mais este ano. A estimativa é que mais de 50 mil pessoas estiveram presentes.
Às 7h, uma missa campal foi celebrada pelo Arcebispo Emérito de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa, na Praça Santuário. Logo após, às 8h, a Imagem Peregrina foi conduzida em um andor por aproximadamente 800 metros, o menor trajeto das romarias oficiais. A procissão seguiu pelas avenidas Generalíssimo Deodoro, Nazaré e Magalhães Barata até a capela do Colégio Gentil Bittencourt, percurso cumprido em média 1 hora.
Antes de tudo, às 6h30, a Imagem Original de Nossa Senhora de Nazaré, que estava no altar-mor da Basílica Santuário desde o sábado do Círio (11), foi conduzida novamente ao Glória. A cerimônia, que ocorre apenas duas vezes ao ano, reuniu centenas de fiéis, celebrando o momento em oração.
PROCISSÃO
Este foi o 30o ano que Antônio Wulfert, 69 anos, participou da romaria do Recírio. O marítimo contou que, anos atrás, quando era mais jovem, tinha um hábito de consumir excessivamente bebidas alcoólicas e fumar cigarro. De família católica, ele disse que entendeu que precisava mudar de vida e se apegou ainda mais com Nossa Senhora de Nazaré. Este ano, ele agradecia por estar mais um ciclo longe das substâncias.
“Eu bebia muito e fumava muito. Pedi a Nossa Senhora que tirasse esse vício de mim e como tenho família católica comecei a frequentar ainda mais a igreja, ir às missas. Já faz mais de trinta anos que eu parei de beber e fumar e por isso eu sempre participo da Trasladação, do Círio e do Recírio. Hoje eu mais agradeço do que peço, principalmente porque eu consegui essa graça”, relatou o marítimo aposentado.
Devoção e Tradição no Recírio
Participar da procissão do Recírio é uma tradição da família de Vânia Botelho, 56 anos. “Vir para o Recírio é uma coisa sagrada para a gente”, diz ela, que também revelou que o momento é voltado às preces e agradecimentos à Virgem de Nazaré pelas conquistas alcançadas durante todo o ano. Esta também é a última oportunidade de ver a santinha de perto antes do Círio do próximo ano.
“A gente traz agradecimentos, traz pedidos de graça, é um momento muito importante para nós. Todo ano eu trago essa santinha comigo, ela vive no meu quarto, vive no meu altar tem muitos anos, tanto é que ela já está bem desgastada, mas é ela quem me acompanha sempre. Esse é um momento que realmente é uma despedida de Nossa Senhora até o ano que vem”, disse a policial militar da reserva.
A Transmissão da Fé Através das Gerações
Acompanhar a romaria do Recírio também é costume dos familiares de Thayara Sarame, de 35 anos. A tradição foi iniciada pela avó, matriarca da família, que faleceu em 2024. Ela era quem costumava levar os filhos e netos desde bem pequenos para seguir em procissão, sempre fazendo os últimos pedidos à Nazinha. Agora, Thayara e a irmã tentam manter a tradição viva ao levarem os filhos para a romaria.
Desta vez, elas participaram com uma finalidade especial: agradecer pela vida da sobrinha Talita, de 1 ano, que passou por várias complicações durante o parto. “Essa é uma tradição, a nossa avó sempre vinha e trazia todos nós, faz um ano que ela faleceu e a gente continua vindo, trazendo os filhos, netos e bisnetos. A minha prima, a Tainá, passou por um momento muito difícil na gestação e a gente fez uma promessa que a gente ia continuar nessa tradição de vir no Recírio pela minha avó. Graças a Deus deu tudo certo com a minha sobrinha e esse é o primeiro Recírio que a gente tá trazendo ela vestida de anjo para agradecer”, disse a assistente social.














