
A emoção da fé mariana voltou a tomar conta da Praça Santuário na noite deste domingo (26), com o encerramento da 233ª edição do Círio de Nazaré. A missa das 18h, presidida por Dom Júlio Endi Akamine, Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Belém, marcou o fim de quinze dias de celebrações que movimentaram milhares de fiéis na capital paraense.
Em sua primeira participação no Círio como arcebispo de Belém, Dom Júlio Akamine destacou o impacto espiritual da festa e a importância do novo tema escolhido para o próximo ano. “Eu achei que foi uma sucessão de surpresas boas, porque de fato eu não conhecia, não tinha participado nenhuma vez, por isso sempre foi algo novo, sempre uma surpresa, sempre uma surpresa muito positiva, uma demonstração de grande devoção à Nossa Senhora de Nazaré e também da fé em Cristo”, disse.
“Maria, missionária que nos dá Jesus” é o tema do Círio 2026; com base em Lucas 1:39, que descreve a viagem de Maria a Judá. “Ele tem um aspecto importante de Nossa Senhora, de uma disposição e de uma grande urgência daquilo que é a evangelização. É sempre uma novidade, mas também uma continuidade na sua essência, porque Nossa Senhora sempre nos conduz a Jesus Cristo”, declarou Dom Júlio, que escolheu o tema.
Para o diretor coordenador do Círio 2025/2026, Antônio Sousa, a edição deste ano foi uma das mais tranquilas e emocionantes dos últimos tempos. “Ocorreu tudo bem. Apesar de todo mundo se preocupar com a COP que está acontecendo, não afetou em nada. Pelo contrário, a organização se preparou ainda melhor e foi um Círio abençoado, seguro, tranquilo”, avaliou.
ESPETÁCULOs – CORAL, VÍDEO MAPPING, ANÚNCIO DO TEMA DE 2026 E FOGOS
A programação seguiu e, poucos minutos para às 22h, culminou com o espetáculo de vídeo mapping, o anúncio do tema do Círio 2026 e o tradicional show de fogos piromusical.
A abertura do espetáculo foi feita pelo Madrigal Cantai ao Senhor, grupo independente formado por 20 vozes e regido pelo maestro Yuri Cruz, que apresentou um repertório de músicas sacras e populares, emocionando o público antes da projeção.
A emoção se intensificou quando as luzes da Praça se apagaram e o espetáculo “Cores, Sons e Sensações” começou a tomar forma na fachada da Basílica. O vídeo mapping, criado pelo artista visual VJ Lobo, utilizou tecnologia de projeção de ponta e uma trilha sonora especialmente composta para o evento. A exibição encantou o público ao transformar o templo em uma tela de fé e arte.
“Essa é a sexta edição, e este ano estamos contando a história de um casal ribeirinho que vem para Belém. Essa travessia representa a vida de muitos. Eu espero que essa obra possa trazer um sentimento de pertencimento, porque falar sobre o Círio é falar sobre pessoas, sobre afeto, resiliência e respeito”, afirmou VJ Lobo.
EMOÇÃO
Entre os devotos, a emoção era evidente. Regina Aquime, 43 anos, dona de casa, saiu do bairro do Guamá, como faz todos os anos, porque o momento “representa um momento de muita fé e confiança em Nossa Senhora de Nazaré. A gente sempre vem em família, somos da comunidade São Pedro e São Paulo, e participamos desse último momento porque é especial. Maria representa tudo, ela é nossa mãe, nossa medianeira, ela que nos guia até Jesus, a fé total”, compartilhou.
Para o cantor e compositor Jerry Santos, de 56 anos, o Círio é também fonte de inspiração. Autor de canções dedicadas à Virgem de Nazaré, cada celebração renova sua fé e criatividade. “A minha última música que eu fiz para o Círio chama-se ‘Círio, a Maior Festa da Terra’. Nossa Senhora me presenteia com as canções que eu faço para ela. Só vivendo, só passando. Não adianta você explicar o Círio, você tem que vir para viver o Círio”, ponderou sobre o último momento que marca a festividade.
O tema de 2026 foi aprovado por Sara Ferreira, de 36 anos, que, como mãe, ao lado do filho Benício, de 7 anos, disse sentir ainda mais o significado. “É um tema muito importante, porque Maria é uma mulher que realmente acolheu Jesus. Jesus nos deu ela, na verdade. Então, é um tema especial para nós que somos mães. Gostei muito”, ponderou.