
A chegada de Yago Pikachu, de 33 anos, ao Clube do Remo para a disputa da Série A de 2026 extrapolou o campo esportivo e reacendeu um debate sensível no futebol paraense: até onde vai a idolatria e onde começa o profissionalismo. Revelado pelo Paysandu e com trajetória vitoriosa no rival, o lateral-direito passou a ser questionado por parte da torcida bicolor após o acerto com o Leão.
O tema ganhou ainda mais repercussão depois de críticas públicas e de uma postagem do ex-presidente e atual diretor de futebol do Paysandu, Alberto Maia, que comparou a decisão do atleta a uma traição, citando Judas. Em contraponto, muitos torcedores e analistas lembram que Pikachu chega ao Baenão vindo do Fortaleza. Além disso, o próprio jogador afirmou ser remista desde criança, assim como toda a sua família.
Ex-jogadores e ídolos do futebol paraense com passagem pela dupla Re-Pa abordaram o assunto. A defesa mais contundente veio de Agnaldo de Jesus, ídolo do Clube do Remo e que também jogou no Papão. Ele tratou o assunto com franqueza e pediu o fim da escalada de ataques.
“Esqueçam o Yago Pikachu. O Yago hoje é do Clube do Remo, vai defender as cores azulinas. Naturalmente, normal”, afirmou.
Agnaldo foi além ao criticar o tom adotado por dirigentes e parte da opinião pública: “Que é isso, meu irmão? Chamar o cara de Judas? Cada um segue a sua vida. O sol é pra todos”.
Remista assumido, o eterno Seu Boneco relembrou a própria trajetória, encerrada no Paysandu, para reforçar o argumento. “Quando fui para o Paysandu, todos sabiam que eu era remista e confiaram no meu caráter. O Yago é profissional e vai se dar muito bem”, declarou.
Repercussão da Chegada de Yago Pikachu
Na mesma linha, Edil, outro ídolo que vestiu as duas camisas e construiu carreira respeitada no Pará, foi categórico ao separar história de presente.
“Claro que o Pikachu não deixa de ser ídolo do Paysandu. O que ele fez lá ninguém tira, está na história”, disse. Para o ex-atacante, o lateral honrou a camisa bicolor e agora inicia um novo desafio. “Ele vai ter uma cobrança muito grande no Remo, é o maior rival, não vai ser fácil. Mas é um grande profissional, um jogador maduro, e o Pará precisa de atletas desse nível”. Edil reconhece a desconfiança natural da torcida azulina, mas aposta na competência do reforço: “Ele vai ter que se ralar muito, mas tem qualidade para vencer e fazer história também no Remo”.
Entre paixões, críticas e defesas públicas, o caso Yago Pikachu expõe um dilema antigo do clássico Re-Pa: rivalidade não anula profissionalismo. Assim como Agnaldo e Edil, e tantos outros que fizeram a travessia na Almirante Barroso, o lateral agora assume um novo capítulo da carreira, ciente da pressão e das consequências do movimento.



