
O ano de 2025 vai ficar marcado para sempre na vida do volante Jaderson. Ele conquistou seu primeiro título com a camisa azulina, o do Parazão, teve o acesso para a primeira divisão, algo que aconteceu pela última vez em 1992, oito anos antes dele nascer, mas, antes disso, quase ficou de fora da temporada. Em maio, no jogo de ida da final do Campeonato Paraense, Jaderson sofreu uma concussão cerebral após um forte choque de cabeça com o zagueiro Joaquin Novillo, do Paysandu. Ele ficou dez dias internado, alguns deles na UTI, e demorou a reconquistar o ritmo de jogo na recuperação. Por fim, no começo das férias, se casou e já espera por um filho.
Jaderson tem contrato por mais dois anos com o Leão Azul e depois de um desempenho impactante na Terceirona e uma temporada de altos e baixos na Segundona, ele vai para o maior desafio da carreira junto com o Remo, que participará pela primeira vez da Série A na era dos pontos corridos. Ele projeta muitas dificuldades, ao mesmo tempo em que demonstra confiança no trabalho que vem sendo feito no clube. Ele falou sobre esses e outros assuntos em entrevista exclusiva ao Bola.
O ano de 2025 está marcado na tua carreira até aqui, com título estadual, acesso para a Série A, casamento e, no meio disso tudo, um acidente de trabalho que quase te deixa afastado do gramado por mais tempo?
R – Com certeza, 2025 é um ano que vai ficar marcado para sempre na minha vida, dentro e fora de campo. Foi um ano de conquistas muito especiais: título estadual, acesso para a Série A, meu casamento e o anúncio da chegada da minha filha. São momentos que eu vou levar para sempre. Mas também foi um ano de provações. O acidente no Re-Pa poderia ter me tirado do gramado por muito mais tempo. Foi um susto enorme, algo que ninguém espera passar. E justamente por tudo isso que este ano se tornou ainda mais significativo. Eu aprendi muito, cresci muito e sou grato por ter conseguido voltar, ajudar o clube e viver tudo isso de forma tão intensa.
Falando no acidente no Re-Pa, ele de alguma forma mudou alguma coisa em ti, Jaderson, de como enxerga a vida e a carreira depois de todo aquele drama?
R – Mudou, sim. Aquilo ali me fez repensar muita coisa. Quando você passa por uma situação que coloca em risco o que você ama fazer, você passa a valorizar cada detalhe. A vida ficou mais leve e, ao mesmo tempo, mais séria. Eu passei a agradecer mais, a não reclamar do que não precisa, a entender que nada está garantido. Dentro de campo, eu voltei mais focado, mais determinado, sabendo que cada jogo é um privilégio. E, fora de campo, me tornei ainda mais grato a Deus, à minha família, aos profissionais do clube e a todos que torceram pela minha recuperação.
O que dá para projetar para o ano que vem, depois de viver as dificuldades da Série C e da B? O quanto essa dificuldade deve ser maior para o ano que vem?
R – A gente sabe que a Série A é um campeonato ainda mais exigente, com um nível técnico altíssimo e que cada detalhe faz diferença. Mas tudo que a gente viveu na Série C e na Série B fortaleceu muito o grupo. Foram anos de luta, superação e aprendizado. Então o que eu projeto é um time competitivo, que vai lutar muito para honrar o Remo na elite. Não vai ser fácil, mas nada na nossa trajetória foi. E justamente por isso a gente chega preparado mentalmente e emocionalmente para encarar esse novo desafio.
Vocês mal terão férias, já que em ano de Copa do Mundo o calendário é mais apertado. Será mais um desafio começar bem o ano diante de tão pouco tempo de preparação?
R – Com certeza é um desafio, mas é algo que vale para todos os clubes. A gente vai precisar cuidar mais ainda do corpo, da alimentação, do descanso, para chegar bem no início da temporada. O grupo já mostrou que é forte, que sabe se adaptar e acredito que vamos iniciar o ano com a intensidade e a seriedade que o momento pede.
Quando olhado para trás, qual a melhor explicação que poderá ser dada para essa campanha vitoriosa?
R – A união. Sem dúvida. Esse grupo se fechou de um jeito muito especial. A gente passou por momentos difíceis, lesões, pressão, dúvidas e, ainda assim, ninguém soltou a mão do outro. Teve muita entrega, muita fé e muito trabalho. E também teve a torcida, que foi fundamental. Eles acreditaram, empurraram, e nós sentimos isso dentro de campo. Então, quando eu olhar para trás, vou sempre lembrar de um time que acreditou até o fim e colheu o que plantou.