
O anúncio do investimento de US$ 3 bilhões do governo da Noruega no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever – TFFF) provocou forte repercussão positiva entre ambientalistas e instituições que atuam na agenda climática internacional. O WWF e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) classificaram o aporte como um marco na história do financiamento ambiental e um passo decisivo para transformar a preservação das florestas tropicais em motor econômico global.
O investimento, revelado durante a Cúpula dos Líderes em Belém, elevou o capital inicial do fundo a US$ 5 bilhões, somando-se aos aportes já anunciados por Brasil e Indonésia, de US$ 1 bilhão cada. O montante representa metade da meta projetada para a COP 30, que será realizada em Belém em 2026, e reforça a confiança internacional na liderança brasileira em temas ambientais.
Para o diretor-executivo do Ipam, André Guimarães, o aporte norueguês é o impulso necessário para acelerar o funcionamento do fundo e atrair novos investidores. “Essa pode ser a alavanca que faltava para realmente fazer o TFFF engrenar, atrair outros investidores e começar a gerar receita mantendo a floresta em pé. É um primeiro passo poderoso que chega antes mesmo da COP começar”, afirmou. Guimarães destacou ainda que o fundo consolida uma nova lógica econômica, na qual a conservação florestal passa a gerar valor, renda e estabilidade climática.
O WWF-Brasil também comemorou o anúncio, ressaltando que o TFFF representa um legado imediato da COP de Belém. “O TFFF já é um marco para o planeta, especialmente para o sul global. Ele une, de forma inédita, a responsabilidade dos governos, o protagonismo das populações locais e a força do setor financeiro em torno de um objetivo comum”, afirmou Mauricio Voivodic, diretor-executivo da organização. “Nosso papel agora é garantir que essa iniciativa seja duradoura, eficaz e transformadora — um ponto de virada na forma como o mundo financia a conservação da natureza.”
Relevância do Fundo Florestas Tropicais para Sempre
Na mesma linha, a diretora-geral do WWF Internacional, Kirsten Schuijt, elogiou a liderança do Brasil e o engajamento de países parceiros como Noruega, Indonésia, Colômbia, República Democrática do Congo e Papua-Nova Guiné. “Este é um momento histórico para a natureza e o financiamento climático. O TFFF é um divisor de águas: recompensa quem preserva as florestas, canaliza recursos diretamente para povos indígenas e comunidades locais e foi concebido para escala, sustentabilidade e impacto”, declarou.
O fundo, criado para recompensar países pela manutenção da cobertura florestal e pela geração de benefícios globais — como armazenamento de carbono, biodiversidade e segurança hídrica — é visto por especialistas como o primeiro mecanismo realmente capaz de integrar mercado financeiro, governos e comunidades tradicionais em uma mesma estratégia de longo prazo.
O TFFF como resposta à emergência climática
Durante a Semana do Clima de Nova Iorque, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia destacado que o TFFF é uma resposta do Sul Global aos desafios da emergência climática, construída a partir da escuta ativa de povos e nações que vivem na linha de frente da crise ambiental.
O IPAM e o WWF reforçaram que os US$ 5 bilhões iniciais são apenas o começo, mas representam uma base sólida para ampliar o engajamento internacional. “O TFFF tem tudo para redefinir o modo como o mundo entende o valor das florestas. A diferença agora é que a floresta em pé finalmente começa a valer mais do que a derrubada”, afirmou Guimarães.