
Um dos planos de saúde mais caros de Belém está no centro de uma grave denúncia envolvendo falhas no atendimento médico e possível negligência hospitalar. Uma idosa de 90 anos, beneficiária do plano Garantia de Saúde há mais de três décadas, passou por uma situação dramática ao buscar atendimento no Hospital Adventista de Belém (HAB).
Na última terça-feira (6), a paciente deu entrada na unidade hospitalar apresentando infecção grave nas pernas e febre, sintomas que exigem avaliação médica imediata, sobretudo em pacientes idosos. Mesmo diante do quadro clínico preocupante, a idosa permaneceu das 16h às 23h sem receber cuidados adequados, segundo relato da família.
Durante esse período, a paciente teria ficado em observação sem atendimento eficaz, sem exames conclusivos e sem a definição de um protocolo médico compatível com seu estado de saúde. Diante da piora do quadro e do risco iminente, a família decidiu retirá-la do Hospital Adventista e transferi-la às pressas para o Hospital Beneficente Portuguesa, onde ela finalmente passou a receber atendimento especializado.
Falta de estrutura e profissionais
Familiares afirmam que o Hospital Adventista de Belém não possuía estrutura nem equipe técnica suficiente para lidar com a gravidade do caso, apesar de atender pacientes de um dos planos mais caros da capital paraense.
“É revoltante pagar um plano de alto valor por mais de 30 anos e, quando mais se precisa, não ter o atendimento mínimo garantido”, relatou um parente da paciente.
O caso levanta questionamentos sobre a real capacidade do hospital em atender sua própria carteira de clientes, especialmente pacientes idosos, que demandam cuidados rápidos, exames e acompanhamento contínuo.
Revolta entre usuários do plano
A situação não é isolada. Usuários do Garantia de Saúde têm manifestado, nos últimos meses, insatisfação crescente com a qualidade do atendimento, principalmente no Hospital Adventista, que é um dos principais credenciados do plano em Belém.
Relatos de longas esperas, falta de médicos, demora para exames e ausência de leitos vêm se acumulando, mesmo com mensalidades consideradas entre as mais altas do mercado local.