
O Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna despontou como um dos grandes protagonistas do período da COP30, reforçando sua importância como vitrine da Amazônia urbana e consolidando-se, de vez, como um dos espaços verdes mais vibrantes e bem-cuidadores do país. O lugar que, há alguns anos, ainda convivia com limitações de estrutura e baixa visitação, hoje se apresenta renovado e preparado para receber moradores, turistas e delegações internacionais com a grandeza que a floresta merece.
Durante os doze dias da conferência, entre 10 e 21 de novembro, quase 20 mil pessoas passaram pelas trilhas, mirantes, centros de convivência e pelos lagos Bolonha e Água Preta — responsáveis por abastecer boa parte da Região Metropolitana. No acumulado de 1º a 23 de novembro, já são 46 mil visitantes, número que coloca o Utinga entre as unidades de conservação mais movimentadas do Brasil no período da COP.
A transformação é visível até para os frequentadores mais antigos. Antes, o parque era visto como um refúgio natural, sim, mas relativamente isolado, com acessos limitados e pouca infraestrutura para receber turistas. Agora, após os investimentos dos últimos anos e a vitrine mundial proporcionada pela conferência climática, o Utinga ganhou nova vida: trilhas mais seguras, equipamentos de uso público renovados, áreas de descanso, mais monitoramento, mais atividades guiadas e maior integração com programas de educação ambiental.
Além da estrutura aprimorada, o que chamou atenção foi o desfile internacional de visitantes. A rainha Mary Donaldson, da Dinamarca, esteve no parque, assim como representantes de países como China, Argentina, Romênia e Costa do Marfim. Muitos deles participaram de atividades educativas e conheceram de perto o funcionamento dos reservatórios, a fauna local, projetos de pesquisa e ações de conservação — um contato direto com a floresta que faz de Belém a porta de entrada do bioma amazônico.
O Impacto da COP30 no Parque do Utinga
Segundo Júlio Meyer, gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio, a COP30 marcou um divisor de águas. O parque, que já avançava em gestão e estrutura, agora ganha projeção internacional e um fluxo constante de visitantes que tende a aumentar ao longo de 2026. “Receber pessoas de tantas partes do mundo mostra a importância de preservar esse patrimônio e torná-lo cada vez mais acessível à sociedade”, afirmou.
E há motivos concretos para o otimismo. De acordo com técnicos do Ideflor-Bio, o parque deve receber, ao longo dos próximos meses, novos pontos de observação de fauna, reforço na sinalização ecológica e um calendário mais intenso de visitações guiadas — especialmente para estudantes que, após a COP, demonstraram maior interesse por temas climáticos e ambientais. Há ainda conversas iniciais sobre ampliar as atividades de turismo sustentável e esportes de natureza, algo que já vinha sendo planejado antes da conferência, mas que ganhou novo fôlego com a visibilidade internacional.
Novas Experiências e o Futuro do Parque
A experiência dos visitantes também mudou. Quem conheceu o Utinga antes de sua revitalização costuma lembrar do acesso restrito, das poucas áreas de convivência e da quase ausência de mediação ambiental. Hoje, o parque oferece trilhas estruturadas, bicicletários, bebedouros, centro de informação ao visitante, guias capacitados e uma programação constante de educação ambiental — aproximando moradores, turistas e delegações estrangeiras do coração verde de Belém.
O legado da COP30, portanto, não se limita aos números. Ele se traduz em percepção de valor: pela primeira vez, um grande evento climático colocou no mapa mundial um parque urbano amazônico onde conservação, abastecimento de água e lazer caminham juntos. O Utinga virou vitrine — e Belém se orgulha desse papel.
Serviço
O Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna está localizado na Avenida João Paulo II, no Curió-Utinga. Durante novembro, funciona todos os dias e recebe visitantes de todas as idades. Visitas escolares e universitárias podem ser agendadas pelo e-mail [email protected]
Editado por Luiz Octávio Lucas