
O fortalecimento da pesquisa científica na Amazônia ganhou um reforço significativo com a nomeação de 39 novos servidores efetivos para o Museu Paraense Emílio Goeldi, uma das mais importantes instituições científicas do país.
As nomeações, publicadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação entre os dias 29 e 31 de dezembro, ampliam o quadro técnico do museu em áreas estratégicas e são consideradas fundamentais para a continuidade e a expansão das pesquisas voltadas à biodiversidade, à sociodiversidade e aos desafios contemporâneos da região amazônica.
Do total de novos servidores, 17 atuarão como pesquisadores, 12 como analistas em ciência e tecnologia e 10 como tecnologistas, com formações que abrangem geociências, linguística, museologia, divulgação científica, medicina veterinária e tecnologias sociais.
Os nomeados têm até 30 dias para tomar posse e, após esse prazo, até 15 dias para entrar em exercício. Somados aos quatro analistas que ingressaram em 2025, o Museu Goeldi passa a contabilizar, entre o ano passado e o início de 2026, 43 novos servidores concursados.
Para o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, o momento representa um marco após um longo período sem concursos públicos e reforça a capacidade da instituição de pensar a Amazônia de forma estratégica.
“É com grande entusiasmo que o Museu Goeldi recebe o novo contingente de servidores. Passamos por um período muito difícil, de quase 12 anos sem ter concurso público. O ingresso de novos servidores é estratégico para a manutenção das áreas de atuação do MPEG, sobretudo a bio e a sociodiversidade. É fundamental termos novos servidores para olhar com estratégia o que precisa ser pensado, estudado e proposto para a Amazônia. É preciso abrir novas frentes e propor políticas públicas, propor novas tecnologias, estudar aquilo que ainda é pouco estudado”, afirmou o diretor, ao destacar ainda a expectativa de novas nomeações até o fim de 2026.
Entre as áreas que devem ser fortalecidas com as contratações estão a pesquisa sobre a Amazônia negra, dentro do campo da Antropologia, além de políticas públicas e tecnologias sociais, ampliando o escopo de atuação científica do museu e aprofundando o olhar sobre dimensões históricas, sociais e culturais da região.
Os novos servidores destacam o caráter estratégico e simbólico de ingressar na instituição. Para a engenheira ambiental Yasmin Kitagawa, nomeada analista em ciência e tecnologia, o ingresso no serviço público federal representa a oportunidade de transformar anos de formação acadêmica em resultados concretos para a sociedade, especialmente diante dos desafios ambientais do país.
A arqueóloga Erêndira Oliveira, que assume o cargo de tecnologista, ressalta o compromisso com a Arqueologia Amazônica e com a preservação dos acervos culturais, fundamentais para revelar a antiguidade e a diversidade dos povos que ocuparam a região.
Já o jornalista e pesquisador Tarcízio Macedo, também tecnologista, destaca o papel do Museu Goeldi como espaço de memória, formação cultural e produção de conhecimento científico, profundamente conectado à história de Belém, do Pará e da Amazônia.
A chegada do novo contingente ocorre em um momento simbólico para a instituição. Em 2026, o Museu Paraense Emílio Goeldi completa 160 anos de fundação, consolidando-se como a instituição de pesquisa mais antiga da Amazônia e uma referência nacional e internacional nos estudos sobre o território amazônico, seus povos, sua biodiversidade e sua história.