
Durante entrevista concedida nesta quinta-feira, 13 de novembro, no Media Center da Blue Zone da COP30, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, voltou a defender a necessidade urgente de integrar a cultura à agenda climática global. Logo no início, ao ser provocada com a pergunta “Se pudesse acertar um ponto que pudesse ser melhorado ou mudado, qual seria esse ponto?”, a ministra respondeu que a política cultural e ambiental ainda enfrenta desafios, mas ressaltou que avanços têm ocorrido. “Olha, eu não conheço o que aqui são as coisas que a gente precisa, mas é só um passo que a gente conseguir trazer para a outra instância. As coisas, claro, não estão sendo tão fáceis pra nós”, declarou.
Ela destacou também a importância da mobilização do setor cultural e da sociedade civil. “Acho que no Senado é mais fácil dialogar. Eu acho que é essa mobilização do setor, porque cada vez mais a sociedade brasileira tem que entender. A presença da sociedade civil dizendo aquilo que ela quer é importante, mobiliza e sensibiliza nossos políticos”, afirmou. Margareth completou: “Não importa fazer barulho e dizer o que a gente quer. Eu, como artista, nesse momento me vejo dentro do governo, mas eu torço pelo setor cultural e artístico brasileiro. Tenho certeza que vai ser essa grande vitória.”
Ao comentar sua relação com a região Norte, a ministra acrescentou que compreender o Brasil profundo é parte de sua trajetória e de sua atuação política. “Já fui no Acre, já fui em vários lugares do Amapá. Isso faz parte de mim também. Eu gosto e acho importante. Isso não significa que eu deixei de ser da minha origem, mas significa que eu compreendo o Brasil do tamanho que ele é.”
Ações e Impacto da Cultura na Agenda Climática
Margareth reforçou que o mundo já reconhece que tragédias ambientais representam perdas culturais profundas. “A cultura perder ativos culturais nos eventos climáticos é um prejuízo. Já existe esse entendimento internacional.” Ela explicou que o Brasil quer consolidar um plano de ação reunindo experiências de diversos países para proteger patrimônios ameaçados. “Queremos trazer experiências positivas que possam ser implementadas em todos os países, pedindo que a cultura seja considerada a 19ª ODS.”
Sobre orçamento, a ministra foi direta: “Com certeza precisa haver. Precisa estar dentro das ODS e dentro dos planos de ação dos países. Quando uma cidade some do mapa, também morre a cultura daquela cidade. A gente não está perdendo só prédio. Estamos perdendo pessoas, memórias, referências culturais.” Ela alertou que essa perda compromete a formação das novas gerações. “É uma perda importante. Impacta no futuro, na história que as pessoas deixam de conhecer.”
Financiamento e Perspectivas Futuras
A ministra também comentou os anúncios financeiros feitos durante a COP30. “O motivo desta COP é justamente levantar esse orçamento. Ontem já começamos com US$ 5 bilhões”, disse. Segundo ela, o Banco Mundial confirmou que “vai colocar US$ 1 bilhão para estruturas das cidades dos estados da Amazônia”. Margareth classificou o movimento como um avanço significativo: “Acho que é um começo positivo para o Brasil e para o mundo.”
A entrevista foi encerrada com um clima de confiança, especialmente após a ministra ressaltar que vê, no engajamento do setor cultural, uma força capaz de garantir conquistas estruturantes para a defesa do patrimônio cultural diante das mudanças climáticas.