
O ex-deputado estadual Arthur do Val (União Brasil), mais conhecido como “Mamãe Falei”, voltou aos holofotes — e, como de costume, pela porta errada. Nesta quarta-feira, 12, em Belém, ele reclamou publicamente de ter perdido as credenciais de acesso à COP30 e acusou o evento de “falta de pluralidade”, afirmando que foi barrado por “decisão política”.
A cena ocorreu dois dias após circular nos bastidores da conferência que Do Val havia forçado situações para gravar vídeos, tentando lacrar em áreas de circulação restrita. Resultado: credencial suspensa e acesso negado.
“Eu fui impedido de entrar, mesmo tendo feito o credenciamento dentro das regras. Isso mostra como o tema vem sendo tratado de forma ideológica”, afirmou ele à Itatiaia, tentando transformar o episódio em narrativa de perseguição.
Histórico que pesa – e muito
A vitimização momentânea contrasta com o passado recente de Arthur do Val, cujo mandato foi cassado em 2022 pela Assembleia Legislativa de São Paulo, por quebra de decoro. A cassação ocorreu após a divulgação de áudios em que ele sexualizava mulheres ucranianas durante uma viagem ao país em guerra, episódio que teve repercussão internacional e foi classificado amplamente como assédio.
A negativa de acesso à COP30, portanto, não aconteceu no vácuo: Do Val carrega rejeição pública, desgaste político, e um histórico que ainda repercute.
E ainda quer ser governador
Mesmo assim, na entrevista em Belém, Arthur do Val afirmou que pretende retomar a carreira política e não descarta concorrer ao Governo de São Paulo em 2026.
“Não descarto ser candidato ao Governo de São Paulo em 2026. Muita coisa vai depender do cenário, mas sigo com vontade de contribuir”, disse, apostando que o eleitorado paulista estaria disposto a esquecer tanto os áudios da Ucrânia quanto a cassação unânime na Alesp.
A COP segue; ele, nem tanto
Enquanto Mamãe Falei segue produzindo conteúdo sobre ter sido barrado — material que costuma circular mais entre seus seguidores do que no debate público qualificado — a COP30 continua com sua programação normal, discutindo clima, governança global e ações concretas para adaptação e mitigação.
Arthur, por sua vez, não voltou a entrar na conferência, permanecendo do lado de fora tanto fisicamente quanto no debate ambiental sério.