Icoaraci: o distrito de Belém que não para

O distrito de Icoaraci segue sendo um dos principais polos turísticos, culturais e históricos da capital. Com orla movimentada, tradição centenária das olarias do Paracuri e vida comunitária intensa, o distrito atrai visitantes interessados em gastronomia, artesanato, eventos religiosos, turismo de natureza e em uma rotina ribeirinha que conserva traços antigos mesmo diante das transformações recentes.

A orla de Icoaraci, cartão-postal do distrito, foi o ponto mais citado pelos moradores entrevistados como sendo o melhor lugar do distrito. Entre coqueiros, bares, tapioqueiros, restaurantes e o fluxo constante de quem caminha para apreciar a vista da Baía do Guajará, o lugar reúne moradores e turistas.

A aposentada Márcia França, 60 anos, nascida e criada no distrito, resume o sentimento de pertencimento que marca boa parte da população local.“Esse é maravilhoso, tem coqueiro, tapioqueiros, restaurantes. Uma maravilha. A gente fica de cara para essa natureza maravilhosa. Percebe esse vento, tudo é muito lindo”. Ela conta que até chegou a morar fora, mas acabou retornando. “Eu moro aqui, fui criada aqui. Pra mim é ótimo. Eu gosto muito. Sempre volto pra cá”, completa;

No mesmo ponto da orla, a irmã de Márcia, Angélica França explica que, além dos espaços ao ar livre, Icoaraci oferece um circuito cultural marcado principalmente pelo artesanato tradicional do Paracuri. Segundo ela, quem busca peças autênticas, inspiradas nos grafismos marajoaras e tapajônicos, encontra ali produtos produzidos por artesãos reconhecidos.

Além do turismo e da cerâmica, a vida cotidiana ribeirinha é parte essencial da identidade local. O pescador Eliezer Alves de Souza, 38, mora em Icoaraci desde que nasceu e trabalha nas águas da região. Ele destaca que a natureza e a tranquilidade são atrativos para quem chega ao distrito. Ele explica que a pesca, mesmo menos intensa do que no passado, ainda sustenta muitas famílias. “Aqui é mais peixe de água doce. Filhote, dourada, piramutaba. Agora a água tá mais salgada, nesse período, mas dá pra pescar”, avalia. 

A Igreja Matriz de São João Batista, no bairro do Cruzeiro, também aparece como ponto central da vida comunitária. O morador Marcos Machado, 31 anos, afirma que o arraial montado em frente ao templo movimenta a vizinhança e preserva tradições religiosas.

“A Igreja Matriz é o centro de Icoaraci. O arraial acontece lá. A cidade começou ali, era uma fazenda, depois virou igreja, e as casas foram crescendo ao redor”. Ele recorda que o distrito já foi um grande polo industrial. “Aqui já foi um polo muito forte. Pesca e madeira eram muito fortes. Essa beirada todinha era só empresas de pesca. Muitas madeireiras também”.