
Criado quase como uma brincadeira entre amigos e colegas que buscavam se organizar para aproveitar a cidade durante a COP30, o grupo de WhatsApp “Beer Zone – Party Alarm” se tornou um fenômeno entre os participantes da conferência em Belém. O primeiro grupo, criado pelo pernambucano Igor Travassos, estrategista de organizações socioambientais e participante da conferência, rapidamente atingiu o limite de 1.024 pessoas. A demanda foi tão grande que um segundo grupo precisou ser aberto, também lotou, e agora já existe uma terceira comunidade, que avança para cerca de 700 membros.
Segundo Igor, a criação do Beer Zone foi totalmente orgânica, motivada pelo desejo de reunir informações de festas, encontros e atividades paralelas que se multiplicam pela capital paraense durante a COP30. Ele destaca que Belém está movimentada não apenas pelos debates oficiais, mas também por mais de 80 casas e espaços com programações independentes, muitas delas ligadas à sociedade civil, instituições e coletivos diversos. “A festa também é política”, resume.
Para Igor, que é de Olinda e leva consigo a filosofia de que celebração também é forma de manifestação, os momentos de descontração fazem parte da construção de redes e articulações. Ele explica que, nesses encontros, é comum que pessoas de diferentes áreas se conheçam, costurem projetos e planejem ações conjuntas. O clima leve e colaborativo ajudou a moldar o espírito do Beer Zone: um espaço de troca, informação e convivência.
A administração dos grupos também surgiu coletivamente. Igor criou o primeiro, mas contou com apoio imediato de colegas, jornalistas, comunicadores, ativistas e integrantes de organizações socioambientais que se ofereceram para ajudar a gerenciar o volume crescente de informações. A tentativa de centralizar os três grupos em uma única comunidade esbarrou em outra limitação do WhatsApp: apenas duas mil pessoas podem integrar uma comunidade. Resultado: três grupos distintos, todos muito ativos.

Outras Iniciativas e Espaços Alternativos
Além do Beer Zone, há outras iniciativas semelhantes, criados inclusive em COPs anteriores. São grupos de programação de organizações, espaços voltados para participantes estrangeiros, como o “Free Food”, onde circulam indicações de lugares com comida ou bebida gratuita — preciosidade para quem passa até 12 horas no espaço da conferência.
Igor lembra que, apesar de esta ser sua primeira COP presencial, sempre acompanhou de perto a dinâmica dos bastidores, inclusive sabendo da importância histórica das festas organizadas por brasileiros nas conferências internacionais. Ele destaca que esses momentos cumprem um papel de resistência, convivência e cuidado com quem atua no front do ativismo socioambiental. “É difícil, é desgastante. Então celebrar também faz parte do processo de fortalecimento”, afirma.