
O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever – TFF), lançado oficialmente pelo Brasil durante a Cúpula do Clima, que começou hoje, quinta, 6, e vai até amanhã, sexta, 7, já nasce com US$ 25 bilhões em recursos públicos garantidos, capazes de alavancar até US$ 125 bilhões em investimentos totais para financiar a proteção das florestas tropicais no planeta. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa nesta tarde pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao lado das ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas), em uma cerimônia que reuniu representantes de mais de 50 países.
Haddad explicou que o TFF foi desenhado para transformar a preservação ambiental em ativo econômico global, atraindo capital público e privado em um sistema de retorno financeiro sustentável. “Nós trabalhamos com um fundo de US$ 25 bilhões públicos, que, pela estrutura de alavancagem, pode atingir US$ 125 bilhões em capital total. Esse é o modelo em que o investidor é remunerado e o lucro diferencial serve para pagar serviços ambientais”, afirmou. O ministro enfatizou que o mecanismo não se baseia em doações, mas em investimentos que geram resultados financeiros e ambientais.
O ministro destacou o entusiasmo internacional em torno da proposta. A Noruega anunciou aporte de US$ 3 bilhões, a França confirmou US$ 500 milhões, e a Alemanha deve anunciar amanhã 300 milhões de euros. O Brasil e a Indonésia já haviam garantido US$ 1 bilhão cada, somando mais da metade da meta inicial ainda nos primeiros dias de funcionamento do fundo. Outros países, como China, Reino Unido, Emirados Árabes e Países Baixos, também manifestaram apoio político e intenção de investimento.
“Estamos começando com o pé direito. Ainda é o primeiro dia, mas já ultrapassamos 50% da nossa meta inicial. Há uma mobilização crescente — governos, empresas e sociedade estão percebendo que o tema climático é urgente e que a preservação das florestas é um investimento no futuro”, disse Haddad. O ministro afirmou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará ligações diretas a chefes de Estado para ampliar os aportes.
TFF: Financiamento Climático e Governança Inclusiva
A ministra Marina Silva (Rede) comemorou o sucesso da fase inicial e o curto prazo em que o fundo se tornou operacional. “Queríamos chegar à COP com o TFF pronto para funcionar — e conseguimos. É um trabalho de meses, em articulação com 12 países e o Banco Mundial. O mais impressionante é que já temos estrutura para receber os aportes e recursos garantidos logo no primeiro dia”, afirmou. Marina destacou que o modelo é capaz de multiplicar por quatro os valores públicos investidos, criando uma base sólida de financiamento climático permanente.
A ministra Sônia Guajajara (PSOL) ressaltou que o TFF incorpora uma governança inclusiva, com repasse mínimo de 20% dos recursos diretamente a povos indígenas e comunidades locais. “Garantimos autonomia e continuidade, independentemente de mudanças de governo. É um modelo que respeita os povos que mantêm as florestas em pé e que agora serão remunerados por isso”, disse.
Adesão Internacional e Liderança Brasileira
O embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima e Meio Ambiente do Itamaraty, informou que 53 países já assinaram a declaração de adesão, incluindo os principais detentores de florestas tropicais — como Brasil, Indonésia, Congo, Colômbia, Peru e Madagascar — e grandes investidores internacionais, como Alemanha, China, Noruega, França, Reino Unido e Emirados Árabes.
O ministro do Clima da Noruega, Andreas Bjelland Eriksen, elogiou a liderança brasileira e classificou o TFF como “uma das ideias mais ousadas e necessárias lançadas no campo climático em anos”. “Criar valor econômico em não cortar uma árvore é revolucionário. Estamos prontos para investir e levar esse modelo adiante com o Brasil”, declarou.
Com o TFF, o Brasil assume a dianteira global na transição para uma economia verde, que busca integrar o mercado financeiro à conservação ambiental. O mecanismo cria uma base duradoura para remunerar a floresta em pé, reduzir o desmatamento e fortalecer comunidades locais, abrindo caminho para uma nova era de financiamento climático internacional.