
O WRI Brasil, instituto de pesquisa voltado à sustentabilidade e ao desenvolvimento de soluções para o equilíbrio climático e a proteção da natureza, celebrou o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), anunciado pelo governo brasileiro durante a Cúpula de Líderes da COP30 em Belém na tarde desta quinta-feira, 6, pelo presidente Lula (PT). Para a organização, a criação do fundo marca um avanço histórico na política ambiental global e representa uma mudança de paradigma na forma de financiar a conservação das florestas tropicais.
“O Fundo Florestas Tropicais para Sempre pode inverter a lógica econômica do desmatamento, tornando as florestas mais rentáveis em pé do que derrubadas”, destacou Mirela Sandrini, diretora executiva do WRI Brasil. “Da Amazônia ao Congo e ao Sudeste Asiático, as florestas que sustentam a vida no planeta enfrentam um alerta vermelho. Se mais países contribuírem, o TFFF poderá representar um grande avanço, garantindo recursos estáveis para proteger essas áreas e beneficiar as comunidades que delas dependem.
”O fundo foi lançado com uma contribuição inicial de US$ 1 bilhão do Brasil, seguida da adesão da Indonésia e da manifestação de apoio de Portugal, Reino Unido, Noruega e Colômbia. A meta é alcançar US$ 125 bilhões em capitalização, sendo US$ 10 bilhões na primeira rodada, com recursos provenientes de governos, filantropias e do setor privado.
Nova Era de Cooperação Climática
Para o WRI Brasil, a iniciativa sinaliza uma nova era de cooperação climática. Mais de 50 países já manifestaram apoio, mas a entidade ressalta que o sucesso do fundo dependerá da ampliação das contribuições, especialmente das nações mais ricas. “Será um teste definitivo para saber se o mundo está realmente disposto a dividir a responsabilidade pela proteção das florestas que sustentam todas as economias”, afirmou Sandrini.
Outro destaque apontado pelo WRI é o compromisso de destinar pelo menos 20% dos recursos diretamente a povos indígenas e comunidades locais, que são considerados os principais guardiões das florestas. A diretora enfatiza que a operação do fundo precisa ser transparente e eficaz, enfrentando desafios como a degradação florestal e o chamado “vazamento” — quando a proteção de uma área apenas desloca a destruição para outra.Sandrini reforça ainda o caráter inovador do TFFF, concebido no Sul Global e voltado às suas realidades.
Transformação no Sistema Financeiro Internacional
“O fundo mostra como os países em desenvolvimento podem liderar soluções climáticas próprias, dialogando de forma responsável com os mercados financeiros globais. Este não é apenas mais um fundo — é o início de uma transformação necessária no sistema financeiro internacional, que precisa redirecionar capital para investimentos seguros e positivos para o clima.”