Ao falar na Planetary Embassy, espaço desenvolvido pela Swissnex no Brasil durante a COP30 no Museu Emílio Goeldi, a líder indígena Yanomami destacou a importância de fortalecer as ações de proteção à mãe natureza.
Ao falar na Planetary Embassy, espaço desenvolvido pela Swissnex no Brasil durante a COP30 no Museu Emílio Goeldi, a líder indígena Yanomami destacou a importância de fortalecer as ações de proteção à mãe natureza.

A Planetary Embassy, espaço integrado de diálogos e experiências durante a COP30, concebido pela Swissnex, rede global da Suíça que conecta o país ao mundo em educação, pesquisa e inovação, promoveu nesta segunda-feira (17), no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, uma roda de conversa com a líder indígena Ehuana Yaira Yanomami e com o líder Dário Kopenawa, filho do xamã Davi Kopenawa. Com abordagens sobre a memória ancestral e as vivências atuais na floresta, Ehuana falou sobre a força, a sabedoria e a resiliência das mulheres indígenas.

Liderança reconhecida internacionalmente, artista e voz feminina na luta em defesa da floresta e do povo Yanomami, Ehuana compartilhou informações sobre arte indígena, o conceito de comunidade e destacou a interdependência entre as pessoas e a natureza. “A arte é uma arma importante para chamar a atenção das sociedades não indígenas sobre a cultura Yanomami. Quando sonho, começo a fazer meus desenhos para mostrar ao público a defesa da mãe natureza, da floresta, da nossa cultura e da humanidade”, afirmou.

Ehuana falou sobre o sofrimento dos povos indígenas com a devastação da floresta. “A gente sofre com a poluição, com o desmatamento. Nós, mulheres, estamos muito preocupadas com a ameaça ao nosso povo pelos projetos de mineradoras, das hidrelétricas”, disse.

A líder indígena destacou que ocupar os espaços da COP30 permite que ela junte sua voz às vozes de todas as mulheres urbanas na defesa da floresta e da mãe natureza. “A gente está se mobilizando porque não queremos a nossa terra destruída. A gente nasce, cresce e vive nela”, assinalou.

O encontro contou com a moderação de Vanessa Boanada, advogada, Ph.D. em Estudos de Desenvolvimento Internacional pelo Instituto de Pós-Graduação em Genebra (IHEID) e diretora executiva do St.Gallen Institute of Management in Latin America – GIMLA.

No último dia 13, o líder e xamã Davi Kopenawa também esteve presente na Planetary Embassy. Ele falou sobre a importância da escuta dos povos tradicionais nas discussões da COP30. “É importante a COP30 ter chamado os Yanomami para falar ao mundo. A COP30 tem que aproximar. O resultado é difícil, mas vamos ver o que ela vai trazer de benefícios para os povos indígenas e das cidades”, afirmou Davi, que é presidente da Hutukara Associação Yanomami.

À frente da luta dos povos indígenas, Davi Kopenawa é uma das mais importantes lideranças intelectuais, políticas e espirituais com atuação na defesa do meio ambiente, da diversidade cultural e dos direitos humanos. Em 2010, em coautoria com o antropólogo francês Bruce Albert, Kopenawa escreveu o livro “A queda do céu – palavras de um xamã Yanomami”, em que apresenta a filosofia de seu povo na relação com a natureza.

Davi Kopenawa, ao clamar pela defesa da Amazônia e apontar as ameaças que colocam em risco a vida no planeta, disse: “Precisamos entender o que a COP30 está fazendo e como os brancos podem ouvir a floresta”. O líder indígena ressaltou a importância de uma convivência equilibrada com as forças da natureza para garantir a sobrevivência das espécies na Terra. “Temos que escutar a fala das árvores. Elas têm uma vida. É muito importante proteger e respeitar as árvores, os rios, os peixes”, afirmou o xamã.

Em busca do equilíbrio

Parte do programa Road to Belem, iniciativa da Suíça que prevê ações para antes, durante e depois da COP30, a conferência mundial das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, a Planetary Embassy apresenta discussões, exibições e experiências imersivas entre árvores, plantas e animais da floresta amazônica, informou Benjamin Bollmann, CEO da Swissnex no Brasil. O cenário, disse Benjamin, convida à desaceleração, à escuta e a conversas profundas sobre a coexistência entre as espécies. “A relação entre humanos e não humanos está desequilibrada. Na Planetary Embassy propomos uma nova diplomacia planetária que possa restabelecer o equilíbrio entre nós e o planeta”, destacou.

Os visitantes da Planetary Embassy também poderão conhecer a exposição “Imaginando uma Diplomacia Planetária”. Parte da iniciativa global Swissnex for the Planet, a exposição apresenta visões de diplomacia planetária coletadas por meio de uma chamada aberta a jovens pesquisadores, inovadores e artistas de todo o mundo.

SERVIÇO

Planetary Embassy, programa Road to Belem da Embaixada Suíça no Brasil.

Local: Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, na avenida Magalhães Barata,

em Belém.

Visitação: 9h às 15h.

Clayton Matos

Diretor de Redação

Clayton Matos é jornalista formado na Universidade Federal do Pará no curso de comunicação social com habilitação em jornalismo. Trabalha no DIÁRIO DO PARÁ desde 2000, iniciando como estagiário no caderno Bola, passando por outras editorias. Hoje é repórter, colunista de esportes, editor e diretor de redação.

Clayton Matos é jornalista formado na Universidade Federal do Pará no curso de comunicação social com habilitação em jornalismo. Trabalha no DIÁRIO DO PARÁ desde 2000, iniciando como estagiário no caderno Bola, passando por outras editorias. Hoje é repórter, colunista de esportes, editor e diretor de redação.