Ministra Márcia Lopes detalha ações climáticas voltadas às mulheres durante atividades da COP30, em Belém.
Ministra Márcia Lopes detalha ações climáticas voltadas às mulheres durante atividades da COP30, em Belém.

Em entrevista concedida nesta quinta-feira, 14 de novembro, na COP30, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o governo federal consolida um conjunto de dez grandes ações voltadas à participação e proteção das mulheres diante dos impactos da crise climática. Segundo ela, algumas dessas iniciativas já estavam em construção antes da conferência e agora entram em fase de implementação e diálogo com estados e territórios. “Temos dez grandes ações que começaram antes da COP e aqui estamos implementando, e vamos dar continuidade dialogando com todos os estados”, afirmou.

A ministra destacou um dos principais anúncios do dia: o novo protocolo que orientará a atuação em situações de emergência, especialmente em eventos extremos. “Esse protocolo nós vamos apresentar na semana que vem, com diretrizes e prioridades, oferecendo uma solução para o mundo”, disse. Ela explicou que, apesar das especificidades regionais, há padrões que se repetem em enchentes, secas e deslocamentos forçados. “São situações que fazem parte de um método de recuperação, prevenção e atendimento às pessoas que sofrem esses desastres, que ficam sem água, sem energia, às vezes com apenas a roupa do corpo”, afirmou, ressaltando que o documento terá caráter prático.

Segundo a ministra, o protagonismo das mulheres nas comunidades é a base do desenho dessas orientações. “Sabemos que as mulheres ocupam esse centro, esse protagonismo do cuidado, do diálogo, da mobilização nos territórios e também das próprias denúncias”, disse. Ela afirmou que o protocolo deverá “orientar as mulheres” e fortalecer a gestão de riscos e desastres. “Nós vamos entregar as ações colocando as mulheres sempre no centro da ação, porque são a maioria e as mais impactadas”, destacou.

A ministra também comentou a contribuição das mulheres na construção de uma economia verde e resiliente. “Somos 110 milhões de meninas e mulheres no Brasil. No mundo, quase 4 bilhões”, disse, lembrando que, apesar das violências e desigualdades, as mulheres seguem liderando transformações. “Elas persistem. Convivemos com mulheres das águas, das florestas, pescadoras, marisqueiras, quebradeiras, catadoras de material reciclado. São capazes de transformar as coisas respeitando a natureza”, afirmou. Segundo ela, esses grupos femininos defendem seus territórios “de forma intransigente” porque a própria sobrevivência está em jogo.

Márcia Lopes ressaltou o papel das mulheres nas negociações climáticas. “Esperamos que nas negociações a questão da igualdade de gênero e da participação das mulheres seja ouvida e implementada”, declarou. Ao ser questionada sobre como o protocolo contemplará grupos em situação de vulnerabilidade, ela destacou que nenhum segmento ficará de fora. “Não podemos falar de nenhuma situação em que todas as mulheres não estejam integradas e inseridas: ciganas, idosas, com deficiência, migrantes, indígenas, quilombolas, marisqueiras, extrativistas”, listou.

Novo Protocolo e Ações do Governo

A ministra citou ainda um documento recém-lançado pelo governo. “A ministra Macaé Evaristo, dos Direitos Humanos, lançou ontem (13) um guia importante voltado a crianças, adolescentes e jovens, com grupos prioritários e metodologias para acolhimento”, afirmou, explicando que o mesmo modelo será adotado no novo protocolo. “Já escrevemos a base, agora vamos colocar em consulta pública e enviar aos conselhos nacionais de direitos da mulher, direitos humanos, criança e adolescente, saúde, segurança alimentar e todos os nossos fóruns”, disse. Ela afirmou que o documento pretende ser “uma das respostas da COP30 para os países”.

Márcia Lopes lembrou ainda que o Ministério das Mulheres participou da realização da primeira Conferência Nacional de Mulheres Indígenas, destacando a necessidade de que o novo protocolo também responda às demandas desses povos. “Estive na Bahia, na Paraíba, no Acre. Vamos retomar as propostas das mulheres indígenas junto com a ministra Sônia Guajajara e as lideranças”, afirmou.

Carol Menezes

Repórter

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso.

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso.