
A Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) inaugura nesta quarta-feira (12) a Casa da Mata Atlântica, instalada na Universidade da Amazônia (Unama), no bairro Umarizal, em Belém (PA), durante a COP30. O espaço será um ponto de encontro entre ciência, arte, ativismo e políticas públicas, com o objetivo de reforçar o papel da Mata Atlântica na estabilidade climática, na biodiversidade e na qualidade de vida da população brasileira.
Apesar do foco do evento internacional ser a Amazônia, a RMA alerta: “sem a Mata Atlântica, não há futuro climático possível para o Brasil”, como afirma Tânia Martins, coordenadora-geral da rede. “Conservar e restaurar esse bioma é reconstruir o país que queremos — justo, resiliente e comprometido com a vida”, completa.
Durante quatro dias (12 a 15 de novembro), a Casa será palco de painéis, debates, oficinas, apresentações culturais e uma mostra de filmes ambientais, em uma programação aberta e gratuita. O projeto conta com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica e do Fundo Casa Socioambiental.
Abertura e presenças confirmadas
O evento de lançamento ocorre na quarta-feira (12), às 19h, com o painel “A Amazônia recebe a Mata Atlântica”, reunindo nomes como João Paulo Capobianco (Ministério do Meio Ambiente), João Cláudio Arroyo (Unama), Nilto Tatto e Ivan Valente (deputados federais), além de Tânia Martins (RMA).
A jornalista Cristina Serra será a mestre de cerimônia e apresentará o livro Cidade Rachada. O encerramento da noite contará com o show “Música da Floresta”, de Sandra Duailibe.
Entre as participações especiais estão Lucélia Santos, atriz e ativista ambiental, e Antônio Herman Benjamin, ministro do STJ e referência mundial em Direito Ambiental.
Programação da Casa da Mata Atlântica
12/11 (quarta) — Abertura e primeiros painéis
Debates sobre financiamento climático, justiça de gênero, educação ambiental e a cerimônia oficial de lançamento, às 19h.
13/11 (quinta) — Águas, florestas e cidades
Discussões sobre transição energética justa, biomimética e restauração ecológica, além do painel “Mudanças climáticas, Mata Atlântica e serviços ambientais urbanos”.
14/11 (sexta) — Vozes e resistência
Mesas sobre justiça climática, desinformação e eleições 2026, com destaque para a roda de conversa “Vozes da Floresta – Chico Mendes Vive”, com Lucélia Santos, às 14h.
15/11 (sábado) — Marcha Global Unificada pelo Clima
Concentração no Mercado de São Brás, das 8h às 11h.
Mostra de Filmes da Mata Atlântica
Como parte da programação, a Mostra de Filmes da Casa da Mata Atlântica será exibida nos dias 13 e 14 de novembro, na Unama.
Serão dezenas de produções de instituições como SOS Mata Atlântica, Instituto Ipê, The Nature Conservancy, Instituto 5 Elementos, Apremavi, TerraAzul, ICMBio e Iracambi, entre outras.
Os blocos de exibição incluem documentários sobre restauração ecológica, justiça climática e comunidades tradicionais. Entre os destaques estão:
- “Projeto Semeando Água: No Meu Coração da Mata Atlântica” (Instituto Ipê)
- “A Água que Percorre o Vale” (RBMA)
- “Do Quilombo pra Favela” (ISA)
- “Biocêntricos” (Instituto 5 Elementos)
- “Restauração da Serra do Brigadeiro” (Iracambi)
- “Florestas Beira-Mar” (Mater Natura)
- “As Últimas Florestas com Araucárias” (Instituto Mira-Serra)
A mostra encerra no sábado (15), às 15h, com a exibição da websérie “A Água que Percorre o Vale” e o filme “Thiago e Ísis e os Biomas do Brasil”, seguido de debate.
A urgência da conservação
Com apenas 30% de cobertura original restante, a Mata Atlântica concentra a maior parte da população e dos serviços ecossistêmicos do Brasil — incluindo as principais bacias hidrográficas. “Não basta restaurar o que foi destruído. É preciso garantir que o que ainda existe seja efetivamente protegido”, reforça Tânia Martins.
A Casa da Mata Atlântica nasce, assim, como símbolo de esperança e mobilização em meio à COP30 — um chamado coletivo para reconectar o Brasil à sua floresta e ao seu futuro.
Editado por Luiz Octávio Lucas