
O enfrentamento às mudanças climáticas e a busca por cidades mais sustentáveis ganharam um novo instrumento de apoio. Nesta segunda-feira, 10, em Belém, durante a COP30, o Ministério das Cidades e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) assinaram um acordo de cooperação técnica que vai criar uma ferramenta para monitorar as cidades brasileiras.
O sistema, chamado Sistema Nacional de Informações sobre Desenvolvimento Urbano + Clima (SINIDU+Clima), vai reunir e integrar dados sobre planejamento urbano e clima em municípios, regiões metropolitanas e aglomerações urbanas de todo o país. “A ideia é oferecer informações qualificadas para que gestores públicos possam tomar decisões mais eficientes e sustentáveis”, explicou outro participante.
O projeto será executado em três fases e terá duração de 30 meses. O diretor do Departamento de Adaptação das Cidades à Transição Climática e Transformação Digital do Ministério das Cidades, Yuri Della Giustina, detalhou como a ferramenta vai funcionar.
“Precisamos muito dessa parceria com o MCTI, que as informações científicas que eles produzem para outros sistemas também possam ser agregadas a esse conjunto de informações, para a partir daí nós direcionarmos melhor as nossas políticas dentro desse novo contexto climático”, afirmou, informando ainda que a está prevista a inserção do mapeamento de áreas de risco dos municípios, e ao mesmo tempo, um plano diretor.
“Nós pretendemos trabalhar também com inteligência artificial. Então, uma vez detectadas situações de risco, o próprio sistema poderia sugerir uma série de ações de adaptação para aquele município – e o gestor terá, com sua equipe, a capacidade de analisar, avaliar essas sugestões e se aproveitar delas, ou aprimorá-las”, completou Della Giustina.
O sistema será desenvolvido em parceria com o projeto CITinova II – focado na agenda de planejamento urbano sustentável, unindo ciência, tecnologia e inovação -, coordenado pelo MCTI, com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente, da Agência Brasileira de Cooperação e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Após a assinatura, o ministro das Cidades, Jader Filho, destacou que o acordo representa um avanço na capacidade de planejamento urbano com base em evidências científicas. “A partir de agora, nós vamos ter informações das previsões científicas do que ainda vai acontecer. Então, se uma chuva vai ser mais forte em determinada região, nós podemos nos prevenir”, afirmou.
“Nós podemos avançar no processo da escolha de onde vamos aplicar esses recursos, sendo já para obras de macrodrenagem, para acabar com os alagamentos. Sejam obras de contenção de encostas, para evitar que morros venham a deslizar e destruir infraestrutura. Essa é a cooperação técnica que nós fizemos com o Ministério de Ciência e Tecnologia para que, com as informações científicas e base de dados, nós possamos acertar ainda mais, avançar ainda mais, e de fato levar uma infraestrutura que seja adaptada, que seja resiliente e que nós estejamos preparados se futuros eventos climáticos acontecerem na cidade, no município”, completou o ministro.
SINIDU+Clima
A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) será responsável pela execução técnica do sistema. O acordo também prevê a possibilidade de captação de novos recursos para garantir a operação e expansão da plataforma.