O ministro Jader Filho, ao lado da delegação do Chile, na COP30. Crédito: Lucas Lima/MCID.
O ministro Jader Filho, ao lado da delegação do Chile, na COP30. Crédito: Lucas Lima/MCID.

A declaração “Rumo a Sistemas de Transporte Resistentes e de Baixas Emissões para as pessoas, o Desenvolvimento e o Planeta”, que objetiva consolidar um compromisso conjunto para acelerar a transição energética no setor de transportes e alinhar políticas nacionais às metas globais de mitigação e adaptação climática, foi firmada nesta sexta-feira, 14, em evento realizado na Blue Zone da COP30. A iniciativa que une Brasil e Chile busca orientar os dois países rumo à neutralidade de carbono até 2050, ampliando a adoção de tecnologias sustentáveis e promovendo modelos de mobilidade mais eficientes.

Durante a assinatura, o ministro das Cidades, Jader Filho (MDB), destacou que o Brasil já possui uma indústria consolidada de ônibus elétricos e pretende expandir sua aplicação para outras regiões do país.

“O Brasil é um dos países que já possuem a tecnologia de ônibus elétricos consolidada, e a intenção é levar essas iniciativas implementadas em solo brasileiro para outras localidades”, afirmou.

Ele reforçou ainda que os investimentos devem beneficiar tanto o setor público quanto o privado. “Os financiamentos não são só para o ente público, mas também para a iniciativa privada. Queremos acesso a crédito em condições facilitadas para renovar a frota com tecnologia sustentável e de baixa emissão”, defendeu.

O ministro das Cidades também ressaltou que a ampliação da produção deve reduzir custos e facilitar o acesso aos veículos limpos.

“À medida que a linha de montagem é ampliada, o custo de aquisição desses ônibus elétricos, hoje quase três vezes maior que um ônibus a diesel, tende a se tornar mais viável economicamente”, explicou.

Segundo ele, a transição vai além da eletrificação. “E não se trata apenas de eletrificar toda a frota. Precisamos investir em corredores rápidos de transporte, em outros modais, como os VLTs, e em soluções que tornem a mobilidade urbana mais eficiente”, justificou.

Cooperação Bilateral e Metas Ambiciosas

O ministro dos Transportes e Telecomunicações do Chile, Juan Carlos Muñoz Abogabir, afirmou que a declaração reforça metas ambiciosas e urgentes, com foco na eletrificação massiva do transporte público.

Para ele, ao fortalecer esse modal, “é possível não apenas reduzir emissões, mas também incentivar a população a substituir o uso do automóvel particular por alternativas coletivas de baixa emissão”.

A cooperação bilateral teve início em maio de 2025, durante a Cúpula do Fórum Internacional de Transportes (ITF), em Leipzig, quando o Chile presidia o organismo. Na ocasião, o Ministério das Cidades e o governo chileno avançaram nas tratativas para uma declaração conjunta voltada à descarbonização do transporte urbano, com foco especial na América Latina e no Caribe.

O documento firmado agora na COP30 estabelece uma meta coletiva de reduzir em 25% a demanda total de energia do setor de transportes até 2035, garantindo que um terço dessa demanda seja suprida por biocombustíveis sustentáveis e outras fontes renováveis. A declaração também se alinha ao cenário Net Zero da Agência Internacional de Energia, reforçando a urgência de acelerar ações após o primeiro Balanço Global do Acordo de Paris.

Com a parceria consolidada, Brasil e Chile apresentam uma agenda comum de cooperação internacional voltada à transição energética no transporte urbano e à diminuição das desigualdades nas cidades, incentivando outros países da região a adotarem estratégias conjuntas rumo a um sistema de mobilidade global de baixo carbono, centrado nas pessoas e no planeta.

Editado por Luiz Octávio Lucas

Carol Menezes

Repórter

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso.

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso.