
A relação entre o Pará e a França atravessa séculos e volta a ganhar força com a visita da prefeita de Paris, Anne Hidalgo, a Belém. Neste sábado, 8, ela será recebida pelo prefeito Igor Normando no Palácio Antônio Lemos, para a assinatura de um Termo de Cooperação entre as duas capitais, seguida de um passeio pela Rua Santo Antônio, onde será apresentado o projeto “Paris n’América” — iniciativa que pretende revitalizar o coração histórico e comercial da cidade.
A presença de Anne Hidalgo em solo paraense acontece num momento de reafirmação dos laços entre Brasil e França, aquecidos pela visita recente do presidente Lula a Paris, onde foi recebido com entusiasmo pela prefeita. O reencontro em Belém simboliza a continuidade dessa diplomacia de proximidade, agora em nível municipal, e reforça o reconhecimento da capital paraense como uma cidade-chave na Amazônia e anfitriã da COP30.
O Projeto “Paris n’América” e a Revitalização de Belém
O projeto “Paris n’América” tem inspiração histórica. No início do século XX, Belém viveu sua “Belle Époque tropical”, impulsionada pelo ciclo da borracha e pela influência europeia. A Rua Santo Antônio abrigou lojas luxuosas, entre elas a lendária Casa Paris n’América, construída entre 1906 e 1909, com materiais importados da França e uma arquitetura art nouveau que ecoava a elegância das Galeries Lafayette. O novo projeto resgata essa memória e propõe devolver à Rua Santo Antônio, o charme e a vitalidade de tempos passados, com a restauração de fachadas, incentivo ao comércio local e valorização turística.

A agenda de Anne Hidalgo em Belém ainda inclui uma visita à Ilha do Combu, acompanhada pela primeira-dama Fabíola Normando, para conhecer de perto as belezas naturais e a gastronomia amazônica. A presença da prefeita de Paris não é apenas uma visita protocolar, mas um gesto político e cultural que reafirma o elo afetivo e estético entre as duas cidades.
Belém: A Paris da Amazônia
Com “Paris n’América”, Belém não apenas presta homenagem ao seu passado — celebra-o com olhar de futuro. A parceria com Paris promete unir tradição e inovação, reerguendo uma das áreas mais simbólicas da capital e, ao mesmo tempo, reacendendo a velha ambição de ser, como se dizia outrora, “a Paris da Amazônia”.