
A Estação das Docas, em Belém, recebeu neste fim de semana a visitação pública de três embarcações da Marinha do Brasil, como parte da programação da Semana do Marinheiro, que celebra o aniversário de nascimento do almirante Tamandaré, Patrono da Força Naval. A iniciativa aproximou o público civil da rotina naval e permitiu conhecer de perto o trabalho realizado pela Marinha na região Norte do país.
Entre os navios abertos à visitação está o Navio-Patrulha Guarujá, incorporado à Marinha do Brasil em 1999 e com atuação em toda a área do 4º Distrito Naval, que abrange os estados do Pará, Maranhão, Piauí e Amapá. Segundo o comandante da embarcação, Capitão-Tenente Patrick Aragão Barros, o navio exerce múltiplas funções. “Como o nome diz, ele faz patrulha, mas não apenas isso. Atuamos na defesa da nossa área marítima e fluvial e também na salvaguarda da vida humana no mar”, explicou.
O comandante destacou ações recentes realizadas pela tripulação, como o resgate de cinco pescadores cujo barco havia afundado a cerca de 18 quilômetros da costa, além da apreensão de aproximadamente 500 quilos de lagosta e quase duas toneladas de pescado obtidos de forma ilegal. “O navio está bastante ativo. Ele tem capacidade de se adaptar a diferentes tipos de missão, desde operações de resgate até ações de fiscalização”, afirmou.
Durante a visita, o público pôde conhecer áreas como a popa da embarcação, onde fica a lancha utilizada nas abordagens. “O navio se aproxima do contato de interesse e lança a lancha com a equipe. É assim que realizamos muitas das nossas operações”, detalhou Aragão. Ele também ressaltou que o Guarujá é equipado com armamentos, incluindo metralhadoras de 20 milímetros e um canhão de 40 milímetros, reforçando seu papel estratégico. “Certamente, é um meio de guerra, mas também de proteção e apoio à sociedade”, disse.

Navio Hidroceanográfico Rio Xingu
Outro destaque da programação foi o navio hidroceanográfico Rio Xingu, comandado pelo Capitão-Tenente Rafael Rio Ferreira. Diferente do navio-patrulha, a embarcação tem foco em atividades de pesquisa e levantamento de dados. “Esse é um navio hidroceanográfico, responsável por fazer a leitura do leito dos rios, identificar profundidades e possíveis perigos, para atualização das cartas náuticas da região”, explicou o comandante.
Segundo Rio Ferreira, o trabalho realizado pelo navio beneficia diretamente a navegação civil. “Quanto mais segurança a gente proporciona à navegação, mais vidas humanas conseguimos preservar”, afirmou. Em tempos de paz, o Rio Xingu atua principalmente na coleta de dados hidrográficos, oceanográficos e meteorológicos, mas também pode apoiar operações militares em cenários de conflito.
O comandante destacou ainda as parcerias com instituições acadêmicas e científicas. “Já recebemos estudantes da Universidade Federal do Pará e colaboramos com pesquisas, inclusive auxiliando na coleta de dados para trabalhos de conclusão de curso. Mantemos um vínculo muito forte com a comunidade científica”, ressaltou. O navio foi incorporado à Marinha do Brasil em 2013 e completa 12 anos de serviço, tendo sido construído em estaleiro nacional.
Visitação Pública e a Percepção de Segurança
A visitação despertou o interesse de pessoas de diferentes idades e profissões. A enfermeira Meire Mendes, de 58 anos, destacou a importância da iniciativa. “Normalmente a gente vê os navios só de longe. De perto, dá para entender como tudo funciona e como existe um grande monitoramento quando eles estão em operação”, comentou. Para ela, o contato direto reforça a sensação de segurança. “A gente percebe que há muita tecnologia envolvida e isso dá a certeza de que o país está bem protegido”, afirmou.