
O anúncio da Alemanha de um aporte na ordem de 1 bilhão de euros ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), foi um dos resultados positivos desta quarta-feira, 19 de novembro, segundo avaliação conjunta do presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. O gesto, considerado decisivo para o fortalecimento do financiamento climático global, ganhou protagonismo na coletiva realizada em Belém.
Participantes da coletiva de imprennsa que encerrou a programação do dia, ao lado do presidente Lula (PT), na abertura, Corrêa do Lago comentou o ambiente construtivo da conferência. “Todos podem ver pelo humor do presidente que foi um dia muito bom”, destacou. Ele relatou que a equipe brasileira se reuniu com vários grupos negociadores e tratou de temas centrais. “Discutimos adaptação, financiamento e o propósito do Mapa do Caminho”, observou. O embaixador lembrou também encontros com sociedade civil, setor privado e governos subnacionais. “A COP30 tem consequências econômicas imensas e demonstra que esta agenda agora cobre basicamente todas as atividades humanas”, avaliou.
Corrêa do Lago descreveu o volume de iniciativas técnicas distribuídas pelos espaços da conferência. “Há dezenas de atividades mostrando uma quantidade impressionante de propostas científicas, empresariais e sociais”, pontuou. Ele citou ainda o engajamento social. “Conversamos sobre a Cúpula dos Povos, a participação intensa dos indígenas e a presença dos movimentos sociais, já que a transição justa é absolutamente essencial”, assinalou. Também reforçou a evolução da pauta de gênero nesta COP. “Vamos ter aqui um avanço muito importante no tratamento de gênero e mudança do clima”, acrescentou. Ao encerrar, comentou a agenda apertada. “Eu podia ficar aqui várias horas, mas tenho que voltar para Brasília”, concluiu.
Aporte Alemão e Financiamento Climático
A ministra Marina Silva iniciou sua fala justamente reforçando o impacto do gesto alemão. “Tivemos a alegria de que a Alemanha fez o anúncio do seu aporte ao TFFF, na ordem de 1 bilhão de euros”, afirmou. Segundo ela, o movimento expressa confiança internacional no novo mecanismo. “Esse instrumento global é muito bem desenhado e estruturado, e começa a dar respostas à questão do financiamento”, enfatizou.
Marina explicou que o aporte se soma ao esforço diplomático do Brasil e será determinante para impulsionar países que buscam fortalecer suas trajetórias de transição energética. Ela aproveitou para informar que Lula entregou ao secretário-geral da ONU a carta de ratificação do Brasil sobre o acordo de biodiversidade marinha em áreas fora da jurisdição nacional. “É uma conquista importante, que contou também com o envolvimento direto da primeira-dama”, lembrou.
Diálogos na COP30 e o Mapa do Caminho
A ministra avaliou que os diálogos desta fase da COP30 têm sido produtivos. “Discutimos adaptação, mitigação e transição justa com diversos grupos, e mesmo com as complexidades, o presidente sempre apresenta caminhos e possibilidades”, observou. Ao tratar do Mapa do Caminho, reforçou seu papel estratégico. “Ele permitirá que países desenvolvidos e em desenvolvimento estabeleçam suas trajetórias para sair da dependência de combustíveis fósseis e frear o desmatamento”, explicou.
Marina destacou que o texto precisa equilibrar realidades distintas. “É necessário adotar uma linguagem que respeite as demandas de países em desenvolvimento e amplie as responsabilidades de quem historicamente emite mais”, sublinhou. Finalizou expressando confiança no andamento das negociações. “Ninguém tem uma resposta pronta e ninguém quer impor nada, mas acredito no consenso progressivo quando todos buscam o melhor pelo clima e pelos mais vulneráveis”, concluiu.