
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), também participou da primeira coletiva da segunda semana da COP30, marcada por anúncios, balanços diplomáticos e respostas cuidadosas sobre a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no evento. Questionado diretamente se Lula retornará à capital para o encerramento da programação, Alckmin desconversou: “Se ele puder vir será extremamente positivo”, limitou-se a dizer, reforçando apenas que o governo mantém forte compromisso com a agenda climática, o desmatamento ilegal zero e a transição ecológica.
Vale dizer que no domingo, 16, em uma carta lida pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, Lula afirma que vai se encontrar com o secretário-geral da ONU, António Guterres. “Voltarei a Belém no dia 19 de novembro para encontrar o Secretário Geral da ONU em um esforço conjunto para fortalecer a governança do clima e do multilateralismo”, disse o presidente no documento. Também vou participar de reuniões com vários países, representantes da sociedade civil, povos indígenas e populações tradicionais, e governadores e prefeitos”, informa Lula no documento.
Ao longo da manhã, o vice-presidente participou da abertura do encontro de ministros — o segmento de Alto Nível — repetindo a agenda que havia cumprido na COP29, em Baku, no Azerbaijão. Em seguida, anunciou a abertura da consulta pública da iniciativa Elementos para uma Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial (EENDI), que ficará disponível até 17 de janeiro. “É um conjunto de tarefas e protocolos focados no propósito de descarbonizar a indústria brasileira”, afirmou.
Alckmin também relatou encontros bilaterais ao lado da ministra Marina Silva (Meio Ambiente) e do embaixador André Corrêa do Lago com o ministro alemão do Meio Ambiente, Carsten Schneider. Segundo ele, a pauta do dia incluiu ainda a agenda do programa Recircula Brasil, parceria da ABDI com a AbiPlast, que já acumulou 50 toneladas de material certificado para economia circular e passará a incluir o alumínio. “O alumínio pode ser reciclado infinitas vezes, não perde capacidade. De grande importância”, destacou.
Iniciativas e Anúncios na COP30
Outro anúncio foi o lançamento do Coopera + Amazônia, que começa com R$ 103 milhões do BNDES via Fundo do Clima e R$ 3,7 milhões do Sebrae, destinados a impulsionar a bioeconomia amazônica. O programa pretende financiar equipamentos, agregar valor a produtos como açaí, castanha e cupuaçu e aumentar a renda de 3,5 mil famílias extrativistas e mais de 50 cooperativas.
O vice-presidente citou ainda avanços na apresentação de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs): “Quando fui a Baku, o Brasil era o número 2. Hoje já são 118 países que apresentaram suas NDCs, representando 78% das emissões globais”. Ele mencionou o destaque do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado na semana anterior.
Tarifas, Combustíveis e o Futuro Sustentável
Na parte comercial, Alckmin assegurou que o combate global ao uso de combustíveis fósseis — defendido publicamente por Lula — não atrapalhará as negociações para reduzir o tarifaço imposto pelos Estados Unidos durante o governo Donald Trump. “Não vejo como complicador”, disse. Lembrou que uma ordem executiva recente reduziu em 10% as chamadas tarifas recíprocas e beneficiou especialmente a região Norte. “Antes, 45% da exportação estava em 50% — 10 + 40. Reduziu para 28%”, explicou, citando quedas para carne, suco, castanha-do-pará, pimenta, palmito, cacau e outros. Em alguns casos, como castanha com casca e suco de laranja, a tarifa foi a zero.
O vice-presidente reforçou que ainda há espaço para avançar: “Oito dos dez produtos que os EUA exportam para nós têm tarifa zero. Não faz sentido manter tarifas tão altas”. Ele defendeu um comércio exterior alinhado ao multilateralismo e ao livre comércio e lembrou que os EUA mantêm superávit com o Brasil.
Ao se referir novamente ao presidente Lula, Alckmin ressaltou que o país segue na vanguarda dos biocombustíveis. “Este ano o etanol na gasolina passou para 30% e o biodiesel no diesel para 15%. Nenhum país no mundo tem isso”, afirmou. Ele projetou protagonismo brasileiro no SAF, o combustível sustentável de aviação que substituirá o querosene, e reforçou que a Nova Indústria Brasil tem como missão central a transição ecológica.